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Aulas de Religião e Moral

1. Os números falam por si. Na Arquidiocese de Braga, no 1.º Ciclo do Ensino Básico (nos primeiros quatro anos de escolaridade obrigatória), praticamente não há aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.

N/D
19 Jun 2003

No ano lectivo de 2001/2002, no 2.º Ciclo do Ensino Básico (5.º e 6.º anos), dos 30.748 alunos matriculados, inscreveram-se em Religião e Moral 18.195 (59%).
No 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos ) dos 29.661 alunos matriculados, inscreveram-se em Religião e Moral 19.409 (65%).

Quanto ao Ensino Secundário: no 10.º ano, dos 5.384 alunos matriculados, inscreveram-se em Religião e Moral 981 (18,4%); no 11.º ano, dos 3.786 alunos matriculados inscreveram-se em Religião e Moral 318 (8,3%); no 12.º ano, dos 3.802 alunos matriculados inscreveram-se em Religião e Moral 182 (4,7%).

2. Porque é que há tão pouca gente a inscrever-se em Religião e Moral?

As causas são várias. Em nota publicada no Diário do Minho de 8 de Junho, D. Jorge Ortiga indicava algumas:

a) a marginalização a que a disciplina tem sido votada pela discriminação dos horários a que está sujeita sobretudo no 1.º Ciclo do Ensino Básico;

b) a indiferença, o desleixo e a falta de consciencialização de muitos pais, educadores e alunos;
c) há quem julgue que só se deve aprender o que é necessário e indispensável para um trabalho profissional ou para obter um diploma.

Outras causas residem em alguns dos docentes encarregados de leccionarem aquela disciplina.

Reconhecendo haver quem cumpra escrupulosamente as suas obrigações, é verdade que alguns nem sempre são tão profissionais como deviam e nem sempre são tão assíduos como seria legítimo esperar que fossem. A forma como, em alguns casos, tem sido leccionada aquela disciplina contribuiu mais para a desprestigiar do que para a enobrecer.

3. No entanto, é importante sublinhá-lo, as aulas de Educação Moral e Religiosa, leccionadas como deve ser, são uma necessidade. Sempre o foram, mas muito mais hoje, em que se vive um vazio de ideais, de valores, de educação cívica e de cultura religiosa.

Educar não é apenas ajudar a pessoa a adquirir um conjunto de conhecimentos que lhe permitam o exercício de uma profissão mas é, sobretudo, ajudar a mesma pessoa a formar e a estruturar a sua personalidade. A aula de Religião e Moral faz parte da formação integral a que os estudantes têm direito e que os responsáveis pela sua educação têm o dever de lhes ministrar.

D. Manuel Pelino Domingues escrevia há dias que esta disciplina «propõe valores morais que são o alicerce da convivência social e o caminho para o desenvolvimento integral da pessoa: a igual dignidade de todo o ser humano, a solidariedade, a confiança e ajuda mútua, a boa relação, a liberdade responsável, a honestidade, o espírito de serviço e de colaboração, o voluntariado, etc.»

Ajuda à compreensão da nossa cultura em que muitos elementos e acontecimentos marcantes da vida social e da vida familiar têm uma origem e conotação cristã. Proporciona também a interpretação do nosso património artístico e literário, igualmente relacionado com o Cristianismo. Incentiva na assimilação de critérios morais e na interpretação criteriosa dos acontecimentos.

É necessário opor um dique à sociedade do abandalhamento para onde nos querem levar, e as aulas de Religião e Moral, se forem bem dadas, podem ajudar a isso.

4. Sendo assim, se a aula de Religião e Moral faz falta e tão poucos a frequentam, é preciso que se inverta a situação.

Que se prestigie aquela disciplina, o que passa pela forma como é leccionada e como é tratada no contexto do restante currículo escolar.

Que se formem devidamente as pessoas encarregadas de a leccionarem.

Que não haja receio de ser escrupuloso na selecção e nomeação dos referidos docentes.
Que os professores de Religião e Moral actuem como verdadeiros profissionais da educação, lembrando-se que também formam com o testemunho que dão.

Que os pais e os alunos se convençam de que frequentar as aulas de Religião e Moral não é uma perda de tempo mas uma oportunidade maravilhosa de melhor se formarem, de mais se enriquecerem, de melhor se prepararem para a vida.

5. A Religião e Moral é uma disciplina opcional. No acto da matrícula, os alunos ou os encarregados de educação (no caso de os alunos não terem mais de 16 anos) devem ser correcta e devidamente informados.

Só assim saberão escolher o que realmente for melhor. Penso que farão bem declarando explicitamente que querem a aula de Religião e Moral.

Esta escolha dá-lhes o direito/dever de, pessoalmente ou através das associações de pais, denunciarem tudo o que virem que está mal.




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