Fotografia:
747. Meu caro Leitor:

Em tempos de vacas magras, esqueléticas, tuberculosas com que os políticos nos brindam, tudo em nós encolhe e minga. E só as festas dos Santos Populares têm a magia de nos levantar o astral e… o resto! Por isso, pega no teu martelo (ou martelão), prende a mulher (ao tricô) e a sogra (à televisão) e vai para o arraial. Aí, deixa que a veia se entumeça e martela, canta e dança! Assim:

N/D
18 Jun 2003

E repenica, repenica, repenica,Tanta gente a suar em bica!
E rapa o tacho, rapa o tacho, rapa o tacho,
Sai de cima e põe-te por baixo!

Leitor meu, desce à cidade
E esquece, como os demais,
Que o fulgor da mocidade
Já foi e não volta mais!

Porque a festa vai em frente,
É lindo, gostoso ver
No coração desta gente
A fogueira a renascer!

E repenica, repenica, repenica…

Mas p’ra geral desprazer
Da festa as ilustrações
Este ano já não vão ter
Lançamento de balões!

A medida é salutar,
Pois vamos ter o consolo
De não ouvir mais gritar:
– Olha o balão, ó parolo!

E repenica, repenica, repenica…

A Câmara engalanou-se
P’ra gozar o S. João,
Mas nas contas despistou-se
Do estádio em construção!

E o Zé Pagode é que paga
A derrapagem malvada
Que é da Câmara de Braga
Falhanços na tabuada!

E repenica, repenica, repenica…

Braga, cidade vetusta,
De antiguidades princesa!
Em tempos, Bracara Augusta,
Também Roma Portuguesa!

E para pôr, obviamente,
Tal velhice mais acesa,
Cá temos um presidente
Dinossauro, com certeza!

E repenica, repenica, repenica…

Sem dinheiro e a entesar,
O Parque de Exposições
Levanta-se a reclamar
De capital injecções!

Falta é mesmo o enfermeiro
De posturas generosas
Que lhe mande no traseiro
Tais injecções milagrosas!

E repenica, repenica, repenica…

Também os TUBES, coitados,
Mostram tanta falta de ar!
Com os cofres esmifrados,
Onde é que eles vão parar?

À falência, com certeza,
Como solução final
Do socialismo em beleza
Da gestão municipal!

E repenica, repenica, repenica…

Cultura! Que óptima ideia
Fará de Braga, afinal,
Nacional, ou europeia
Candidata a capital!

Entretanto, à procura
Dela p’las ruas andei!
E da batata a cultura
Eu numa rua encontrei!

E repenica, repenica, repenica…

Se ao Teatro Circo vais
As obras ver, que desgrácia!
Não acabam nunca mais,
São obras de Santa Engrácia!

E tal buracão obraram
Que era suposto encontrar
Petróleo com que pensaram
A derrapagem pagar!

E repenica, repenica, repenica…

Tem-se visto pela cidade
Muito melro a esgravatar!
E é nessa faina que ele há-de
Muita minhoca encontrar!

Mesmo de bico amarelo
E postura muito crítica,
Eles não têm paralelo
Com os melros da política!

E repenica, repenica, repenica…

E se da festa a ressaca
No rio Este tem procura,
Porque o rio é uma cloaca,
– Tapa o nariz, ó Ventura!

E nem penses tomar banho,
Ou sarar dos pés a agrura,
Que nessas águas há ranho
De intestinos com soltura!

E repenica, repenica, repenica…

A cidade cresce, cresce
Em betão, ferro e altura!
E a crescer ela decresce
Em urbanismo e cultura!

Se do elefante é mister
Crescer, crescer e mais nada,
A cidade ainda há-de ser
Dos elefantes chamada!

E repenica, repenica, repenica…

Bibliopolis, então,
Que impasse é esse, afinal?
Não há homens de tesão
Que peguem no animal?

O que me parece, ó diacho,
É que sobram pretendentes
Bem filadinhos ao tacho
Com fortes unhas e dentes!

E repenica, repenica, repenica…

Meu caro Leitor e agora
Que a fogueira cinzas tem,
Adeus que me vou embora
Até ao ano que vem!

E se estes versos que alinho
Pouco dizem, na verdade,
Desculpa meu desatino,
Mas foi de boa vontade!

E repenica, repenica, repenica
Tanta gente a suar em bica!
E rapa o tacho, rapa o tacho, rapa o tacho
Sai de cima e põe-te por baixo!

Bom S. João e até de hoje a oito.




Notícias relacionadas


Scroll Up