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Outro ponto de vista…

Os tempos que correm, problemáticos, devem obrigar-nos a uma pausa reflexiva. É quase de senso comum constatar um profundo pessimismo que se apossou de um cada vez maior número de pessoas.

N/D
13 Jun 2003

Seja por razões de desencanto com coisas que se passaram e que hoje ganham visibilidade, ou por razões de outra natureza, percebe-se um profundo pessimismo que paira no ar.
Ao menos, poderíamos vislumbrar no horizonte momentos futuros que nos animassem a alma.
Parece-nos não ser o caso. Tentemos ilustrar este, também, nosso desencanto!

Em tempos, os poderes anunciavam com a gravidade cerimoniosa própria do anúncio de grandes desígnios que Portugal, parte desta Europa pujante, era a escolhida para organizar a fase final do campeonato europeu de futebol.

Histeria colectiva! Somos os maiores, até porque vencemos a Espanha na corrida. São necessários seis estádios, nós apresentamos dez. Um deles, uma obra de arte, um hino à criatividade, um momento único de realização artística.

O problema é que tudo tem um custo – manda a prudência que, antes de nos aventurarmos em iniciativas, devemos procurar saber quanto nos vai custar a realização da mesma. Se o dinheiro a gastar for de todos nós, maior deve ser o rigor!

É óbvio que estou a referir-me à obra de arte de Souto Moura, espaço de encantamento, que esperamos possa servir para aquilo que foi idealizado, para a realização de jogos de futebol. Porque se atendermos ao antecedente, o novo mercado de Braga, também obra emblemática de arquitectura, hoje, depois de um processo de alteração, já não é mercado, isto é, o fim a que se destinava não foi realizado, assustamo-nos.

Agora imagine-se a nossa angústia com a obra de arte a ser construída no Parque Norte! Com uma obra projectada para custar seis milhões de contos, depois sujeita a pequenos reajustes no custo, chegamos ao ponto de não saber o seu custo final…

Isto tem um nome. Irresponsabilidade, ou seja, manifesta incompetência de quem tem por obrigação gerir de forma adequada os bens públicos.

Esta posição não revela má vontade do cronista, que até é apreciador do espectáculo futebolístico.
É uma questão de bom senso.

Não tem sentido gastar o que não se tem. Não tem desculpa o facto de se hipotecar o futuro dos vindouros em nome de não se sabe o quê!

Esta será a obra do regime, com assinatura, que ilustrará o fim de um tempo, infelizmente a pagar por todos nós e durante muito tempo.




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