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Ofensas à justiça

Não há noticiário (televisivo ou radiofónico), manchete de jornal ou mesmo comentário de rua/café que não mencione as estórias em que a justiça portuguesa tem estado a mover-se: situações nas universidades, fuga de autarca, casos de pedofilia, facturas falsas, casos de droga, de contrabando, redes de prostituição, máfias do crime… em quantidade quanto baste para que surjam tentativas de lançar fumo, incendiar o rastilho ou queimar em lume brando tanto os administradores como os utentes do sistema de justiça.

N/D
11 Jun 2003

Numa época em que se clama tanto por justiça temos visto situações de verdadeiros atentados à justiça. Tudo ia sendo mais ou menos tolerado até que caíram nas malhas da justiça grandes personalidades – há casos em que são mais de uma centena – da nossa vida social. Já no passado – como a memória é curta! – houve casos com bastante impacto, como por exemplo: facturas falsas, verbas do fundo social europeu, casos na bolsa… mas foi com o fenómeno da “Casa Pia” que tudo parece que se complicou um pouco mais.
As coisas iam decorrendo sem sobressaltos até que os profissionais da política se viram atingidos: uns de forma directa outros indirectamente. Surgem, então, suspeitas, dúvidas, acusações, insinuações…

Há vozes que tentam desacreditar quem executa (seja na forma de inquérito seja na de acusação ou mesmo de julgamento) a justiça e, nalguns casos de uma forma irracional, buscando na idade (confundindo experiência com competência) do juiz algo que disfarce a incomodidade que os casos provocam. Há quem procure trazer à liça – na vertente das escutas telefónicas – outros tempos e regimes políticos. Há quem, de forma subtil, tente aliciar para a subjugação do poder judicial a outro qualquer poder… desde que eles o possam controlar. Há mesmo uma certa comunicação social – auto-intitulada de investigação – que procura escarafunchar a vida, os casos e as pessoas… desde que seja para ganharem protagonismo neste país tão mentalmente pequeno… mas de grandes emoções e crenças abúlicas!

A iconografia da justiça é de simbólica leitura: uma senhora de olhos vendados e com uma balança na mão. Quanto à venda nos olhos esperamos que não signifique que é cega em função da morosidade dos processos. Da balança esperamos que os grandes/influentes/poderosos – sempre no seu conceito tão subjectivo! – sejam tratados de forma igual aos “tais” pobres/desfavorecidos/sem poder…

Eis breves questões:

– Até quando o legislador andará tão confuso e a reboque das situações provocadas?

– Como será a vida social depois de tanta perturbação pública?

– Poderemos acreditar que somos todos iguais diante da lei, ao menos no que toca ao prestar de contas?

Mais vale remediar… porque o prevenir já não tem solução!




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