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Medo de gestos de carinho… nas crianças

Por ocasião do ‘dia mundial da criança’ (1 de Junho) ouviu-se uma observação sobre o crescente medo que alguns adultos manifestaram em terem para com as crianças gestos de carinho, pois não se sabe o que isso pode significar, tanto na mente dos outros adultos como nos receios/traumas das próprias crianças. Um palhaço dizia mesmo que agora deixou de fazer festas/carícias às crianças, se estas lhe são desconhecidas. Isso afectaria o seu trabalho e o atractivo da sua figura junto dos mais novos!

N/D
10 Jun 2003

Nesta paranóia colectiva em torno da pedofilia temos estado a ser intoxicados com inúmeros sinais de contradição: as crianças afectadas estão desprotegidas do contexto familiar e, porque este não existe, elas estão mais vulneráveis à desprotecção e desrespeito de qualquer tipo de abusos!
De facto, há muitos adultos desequilibrados/traumatizados por vivências agressivas, violentas ou violadoras enquanto foram crianças… E isso repercute-se, posteriormente, no trato com os mais novos.

Com efeito, como pode alguém dar carinho se foi educado ao repelão, por entre gritaria ou à custa de pancadaria? Como pode alguém ter gestos de ternura para os mais novos se foi educado por entre impropé-rios, palavrões ou mesmo vendo agressão entre os próprios pais? Como pode alguém ter segurança e transmiti-la aos mais novos se foi educado sendo desvalorizado ou pela negativa – ‘só fazes asneiras’, ‘nunca mais aprendes’… – em vez de terem olhado para o que ia fazendo bem ou, pelo menos, cada vez menos mal?

É notório que a atenção à criança tem crescido tanto ao nível legislativo, como na dimensão sociológica, bem como na vertente religiosa e política. Mas é, sobretudo em aspectos de natureza educacional e cultural, que a criança tem estado a ser mais atendida, estudada e acarinhada.

É de carinho (ou da falta dele) que se trata quando uma criança é vista na sua personalidade, isto é, como pessoa e não como mero – quantas vezes foi assim olhada por tantos ditos ‘pedagogos’! – adulto em miniatura. Quem não se lembra do que lhe fizeram – positivo ou negativo – quando criança?

Desde o gesto, a atitude ou a palavra mais aparentemente inofensiva até àquilo que mais marcou… tudo está registado, consciente ou inconscientemente, na memória que agora nos faz ser, actuar e estar com os outros.

• Auspiciamos que a nova lei da adopção seja um contributo para criar um ambiente mais saudável para tantas crianças à espera de ter família;

• Desejamos que os casos de anormalidade comportamental de tantos adultos (mais recentemente noticiados) possam servir de remédio, no futuro, para que seja dada mais atenção às crianças desprotegidas;

• Ansiamos pelo equilíbrio intelectual, emocional e cultural nos meios de comunicação social por forma a ser construída uma sociedade mais sensível aos valores da pessoa humana em qualquer das etapas da vida.

Afinal as crianças precisam de gestos de carinho equilibrado, exigente e adulto!




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