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Rosas louçãs…

Chamam à “rosa” «a rainha das flores». Quem não gosta de rosas deve aceitar ver discutidos os seus gostos… Há muitas e variadas rosas, no mundo, e Portugal tem delas muitos canteiros … Brancas, umas, a lembrarem candura e inocência… Vermelho-carregado, outras, sugerindo ardor, fogo, rancor talvez… Rosas de cor-de-rosa, tantas outras, quiçã as mais autênticas, genuínas, apreciadas por muita gente… Até na política…

N/D
9 Jun 2003

Eu gosto de “rosas”! Nos jardins, nos canteiros, nas lapelas, nas mesas, nos altares, até nas sepulturas, dando fragrância aos epitáfios da saudade…! Até aí ficam bem “rosas louçãs”…Só não gosto de rosas murchas, de pétalas sem viço, pedindo ao vento que as leve consigo…! Quero-as garridas, frescas, perfumadas, louçãs! “Rosas” louçãs – só destas gosto! Só estas aprecio!

Dizem-me – não sei se é verdade – não se darem bem em terras siberianas, onde, o frio e a neve tudo causticam, tudo queimam e esterilizam… Nessas terras, não havendo “rosas”, talvez não exista o amor, por elas simbolizado…! Talvez vicejem outros símbolos: os da malquerença, do ódio, da ambição, da ditadura avassaladora… Talvez…

Gosto de “rosas” louçãs, não importadas de além-muros-tombados… Aprecio “rosas” louçãs germinadas no meu «jardim à beira-mar plantado», que troquem beijos com o sol doirado, que vibrem, serenamente, ao mais leve sopro da viração, que chorem lágrimas invisíveis, quando desce a noite, mas cantem baladas doces, quando desponta o dia, “rosas” louçãs que fechem as corolas, quando escutam impropérios-de-manchar-veludos, quando pressentem climas alterados, prenunciando borrascas, quando vêem, reflectidas no azul celeste, sombras negras de vagas agitadas, fantasmas sinistros-de-afugentar-almas-pacíficas-de-gente-morigerada…!

Quero “rosas” louçãs, de casta genuinamente portuguesa, de odor-lusitano-inconfundível, de pétalas subjugando os espinhos e não por estes subjugadas, de cores suaves mas sempre puras e sem mesclas, de aspecto harmonioso e calmo, onde o nosso olhar repouse, o nosso corpo se tonifique e o nosso espírito se acalme, em embalos cadenciados, ao ritmo de compassos tradicionais e de sons que não rompam tímpanos habituados a música e não ruídos…

Só rosas louçãs, assim…




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