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Vinho verde: um desafio aos agricultores minhotos

Na semana passada, foi apresentado em Lisboa um estudo sobre o vinho português, efectuado por uma conceituada empresa internacional de consultoria estratégica – Monitor Group, de Michael Porter – sobre as possibilidades de desenvolvimento e internacionalização do sector vitivinícola nacional.

N/D
5 Jun 2003

Entre os principais problemas que afectam este sector, o responsável pelo estudo salienta a micro estrutura fundiária da vinha, a baixa qualidade média das uvas e um notório défice de estratégia internacional. Segundo este especialista, é totalmente irrealista, por exemplo, pedir a um agricultor do Minho ou das Beiras, onde a área média das propriedades não excede um hectare, que invista na melhoria da sua produção, quando uma parcela de vinha com o dobro do tamanho é manifestamente insuficiente para gerar rendimentos anuais superiores ao salário mínimo nacional!
A reestruturação desta actividade passa, pois, “por promover a concentração de parcelas”, liberalizando a venda dos direitos de replantação e estimulando o abandono da actividade agrícola por parte dos pequenos viticultores para quem a cultura do vinho é um mero entretenimento ou uma ocupação secundária.

Mas passa igualmente, de acordo com o citado estudo, pela aposta nas castas nacionais com mais hipóteses de vencer nos mercados externos, como as brancas Alvarinho, Loureiro e Trajadura, para referir apenas as mais originais do nosso Minho.

A oferta de demasiadas castas e regiões impede o consumidor estrangeiro de identificar os vinhos portugueses. Não admira, por isso, que o vinho nacional seja vendido em vários mercados externos sob a classificação de “Resto do Mundo” ou integrando a categoria de “Espanha”…

Ora, com excepção dos vinhos generosos do Porto e da Madeira, os vinhos verdes são os mais personalizados vinhos de mesa de Portugal. Pela natureza granítica dos solos onde as vinhas crescem, pelas condições climatéricas e geográficas da região minhota de que são originários e pelas suas características videiras em ramada e específica viticultura, torna-se absolutamente impossível aos novos produtores mundiais, como a Califórnia, Argentina e Austrália, igualar ou sequer imitar o nosso “verdinho”.

Creio, por isso, na urgente necessidade de globalizar as melhores castas e marcas de vinhos portugueses, apostando, tal como sugerem as conclusões do dito estudo da firma de Porter, em vinhos de carácter único e original e de grande qualidade e em dois mercados-alvo, de gosto requintado, grande dimensão e com excelente poder de compra – Estados Unidos e Reino Unido -, através de testes e análises criteriosos.

Feito o diagnóstico dos problemas críticos do sector e apontadas as soluções para o seu crescimento selectivo, parece estar ao alcance dos nossos viticultores fazer crescer a produção vinícola nacional 40 por cento até 2010.

Ponto é que as mencionadas recomendações sejam eficaz e prontamente seguidas e que se multipliquem os vários e bons exemplos que vêm ocorrendo na produção e distribuição para o mercado interno de vinhos de excepcional qualidade, quer no sector cooperativo quer no sector privado.

Fazer do vinho uma importante alavanca do desenvolvimento rural, um grande sustentáculo da economia nacional e um bom embaixador de Portugal no mundo, eis o grande desafio que se coloca aos nossos agricultores.




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