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Os mass media e o respeito pela justiça e a caridade

Celebrou a Igreja Católica, na Festa da Ascensão de Jesus Cristo ao Céu, o 37.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, subordinado ao tema “Os Meios de Comunicação Social ao serviço da paz autêntica, à luz da Pacem in Terris”.

N/D
4 Jun 2003

Vem a propósito reflectir algo sobre a relação paz-justiça. É indubitável que a presença ou ausência desta virtude humana, a justiça, condiciona muito as relações sociais, a nível de indivíduos, famílias e classes. Quando os direitos fundamentais não são observados, as crises surgem como cogumelos a empestar o ambiente humano-social, as tensões avolumam-se e a paz desaparece. Seguem-se convulsões, ameaças e processos nos tribunais.
Particularmente, Portugal está a viver uma crise difícil neste aspecto, com um enorme emaranhado de casos a contas com a justiça. E os mass media têm enfatizado exageradamente o problema, a ponto de um ex-ministro do Professor Cavaco e Silva protestar contra esta situação, como se não houvesse nada mais importante e nada mais que fazer e discutir senão os casos últimos da justiça portuguesa.

Em vez de se trabalhar e resolver os problemas do emprego e desenvolvimento do país, discute-se, de forma doentia, a prisão deste ou daquele político ou artista e do seguinte que lhe vai suceder, em noticiários de horas e mais horas.

O ser humano é sujeito e princípio de diversas actividades que constituem a sua natural expressão. Será errado idolatrar alguma delas em detrimento de outras que lhe devem merecer todo o respeito, no-meadamente a dedicação ao próprio ofício ou profissão. O mesmo se pode dizer do fórum que é a comunicação social, mormente a difusão televisiva, com os seus noticiários e debates. Há outro mundo que se deve ter em conta para além de escândalos e mais escândalos, que só servem para denegrir o bom nome das pessoas e arruinar-lhes por completo a sua vida profissional, para além do péssimo exemplo que se está a dar aos mais novos.

Incuta-se a justiça comutativa, que manda dar a cada indivíduo o que lhe pertence, e a justiça social, que manda respeitar os direitos das classes sociais, procurando diminuir o fosso entre aquelas que gozam de todas as regalias e as que mal têm “o pão nosso de cada dia” para matarem a fome.

Isto também questiona o Governo, que não pode só pensar em dispensar meios e mais meios para enclausurar pessoas e privá-las da liberdade, afastando-se do dever primeiro de criar condições à paz e prosperidade de todo um povo. Mal vai um país quando os tribunais e as cadeias se enchem de processos e presos, e as fábricas e os campos se enchem de ervas e silvas.

Em relação à paz-caridade, o Santo Padre chama a atenção para a confiança que se deve incutir na sociedade. A caridade não diz respeito só à solidariedade que deve existir entre pessoas, famílias e povos, sem dúvida necessária e importante, mas também ao clima de amizade e confiança de que se deve imbuir todo o ambiente humano-social e económico.

E os mass media têm este dever de procurarem ser positivos e não estarem permanentemente a focarem misérias e mais misérias, crimes e mais crimes, prisões atrás de prisões, como se todo o mundo se encerrasse nesse minúsculo círculo.

Cito as palavras finais da Exortação do Sumo Pontífice: “Por conseguinte, a minha oração no Dia Mundial das Comunicações deste ano é para que os homens e as mulheres dos mass media estejam cada vez mais plenamente à altura do desafio da sua vocação: o serviço ao bem comum universal. O seu cumprimento pessoal e a paz e a felicidade do mundo dependem em grande medida disto. Deus os abençoe com a luz e a coragem”.




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