Fotografia:
Reformas… ou reforma do ensino?…

Na Alemanha e França, cada vez mais famílias organizam as suas férias em função dos estudos e línguas de seus filhos. Procuram-se países, onde se possa fazer uso da língua aprendida na escola, com predomínio do francês, inglês, espanhol, italiano, russo, chinês, ou português…

N/D
3 Jun 2003

É uma nova componente que se tenta desenvolver, esquecendo por vezes a cosmética e os raios solares tórridos de países do Sul. Sem dúvida o contacto real com a língua, cultura e com o povo fornece uma perspectiva global em caleidoscópio, que um curso de língua estrangeira, por mais estruturado que seja, nunca responderá cabalmente. Nesta dimensão e com o mesmo objectivo, alguns projectos como Erasmus, Leonardo, etc. proporcionam aos professores e alunos intercâmbios inter-universitários, ou mesmo assistentes de línguas estrangeiras nas escolas, que entre os portugueses, deveriam também ser desenvolvidos.
A interdisciplinaridade, o multilinguismo e a multiculturalidade são as grandes apostas do futuro. Só quem for capaz de estar assim preparado, poderá vencer as novas propostas e desafios do mundo moderno. Para nós portugueses, com uma das línguas mais representadas no mundo em extensão, tais vectores deveriam representar uma grande aposta, conscientes de que teremos de estudar cada vez mais as línguas de culturas dominantes para impormos a nossa, como os nossos produtos, a nossa civilização, humanismo e literatura.

A Convenção de Bolonha, ao gizar as novas linhas de orientação do ensino universitário futuro, aponta algumas pistas, que deverão ser tidas em conta, sob pena de perdermos mais esta oportunidade. Seria melhor primeiro aferir muito bem estes parâmetros e só depois iniciar, fundar ou reformular cursos nas universidades, que não terão saída de futuro, ou cujo âmbito ficou ainda apenas na cabeça dos seus fundadores.

Nas linhas directrizes da investigação para a community of scholars fala-se da variedade e fronteiras de mobilização de professores e alunos, bem como dos âmbitos de investigação e mesmo de caminhos para os seus objectivos na Europa comunitária. Aqui se apontam os pressupostos metodológicos para a sua realização, as visões e perspectivas a alcançar.

Fontane, numa sucinta análise de Goethe disse que a grandeza de um Poeta ou escritor pode medir-se na soma das suas experiências…. Quem pode melhor projectar e formar o estudo de si mesmo, que Bolonha quer tornar possível, é quem, na época ou idade da sua formação, pode pertencer a várias e diferentes comunidades, em que se sente em casa, esse é capaz de estudar em qualquer parte; ganha para a vida uma flexibilidade e uma rápida capacidade de aprendizagem e compreensão, que hoje, na vida profissional, é insubstituível. Quem aprende mais rápido o fundamental, não precisa de muito tempo para chegar ao objectivo final.

Bolonha tem em si uma visão escondida ou utópica a realizar-se, se é possível consegui-la. Só noutra comunidade linguística se pode atingir os limites de experiências e conhecimentos propostos, que lhe faltam. Assim, para todos os que estudam, deve existir uma parte do seu estudo no estrangeiro.

Isto, se não é possível no presente, deve fazer-se amanhã. Não há outro meio ou instrumento para continuar e permitir uma diversidade e unidade europeia ao serviço de todos. Nas universidades e Institutos, por vezes tem-se tido em pouca consideração os gastos. Mas os bons, que na Europa ou nos países transatlânticos, buscaram aprofundamento e investigação de estudos na Indústria, Administração, Política etc., com êxito, são normalmente aqueles que tiveram professores altamente especializados nos seus cursos de língua materna. Para isso desenvolvam-se e estimulem-se os melhores professores nas escolas e universidades, e favoreçam-se componentes multiculturais.

Poder-se-á fazer esta selecção com enormes camadas ou armazéns de alunos? Como será possível? Estará o Estado preparado para assumir os custos, mesmo de bolsas e deslocações?
Como é feita a selecção dos melhores? Estarão todos na mesma base de conhecimento ao nível internacional, ou o que conta é a ideologia?

Eis algumas pistas de reflexão num tempo de reforma do ensino superior, em vez de discussões estéreis de propinas, avaliaçao, fabricação de cursos, ou inflacção de “doutores”…




Notícias relacionadas


Scroll Up