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Luz e coragem

Luz e coragem» é o que deseja aos «homens e mulheres dos mass media» o Papa João Paulo II, ao finalizar a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, ontem assinalado. «Luz e coragem»: bem falta faz uma e outra, nestes tempos toldados, em que sobre jornalistas e outros profissionais da informação e da comunicação recaem desafios enormes no que toca à busca da verdade e à preocupação com a justiça.

N/D
2 Jun 2003

Dizia uma conhecida e efervescente apresentadora televisiva, aqui há tempos, que «quem tem ética passa fome». E a um director de jornal ouvi já dizer, com o ar mais convicto do mundo, que não é com ética que paga ao pessoal no fim do mês. Estes têm o mérito de dizer com clareza e frontalidade o que outros pensam ou, não o pensando, porém, praticam.
Com líderes assim, é óbvio que os profissionais que sob a sua alçada laboram necessitam de muita coragem e de muita habilidade para serem fiéis àqueles valores éticos e deontológicos que norteiam as profissões que exercem. E, sabendo como a precarização do trabalho e o risco do desemprego pairam no horizonte, torna-se extraordinariamente difícil lutar e, ainda mais difícil, vencer.

Mas continua a haver, nos media e no jornalismo, muitos profissionais que não se vendem ou que, tendo por vezes de transpor a linha do aceitável, nem por isso se passam para o outro lado, e aguentam, em dilemas por vezes terríveis, na esperança de um dia poderem respirar. Sei do que falo e por isso o digo.

Ainda esta semana os alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho, através da sua Associação, promoveram umas jornadas intituladas “Ética? Qual Ética”, que permitiram escutar testemunhos eloquentes de quem, em alguns dos principais media nacionais, se bate por valores e pelo interesse público.

A ética e a deontologia constituem, antes de mais, uma questão das pessoas e dos profissionais, independentemente das funções e das hierarquias. Mas é também um problema da empresa e, em particular, da empresa de comunicação social.

Sem esse clima de exigência, sem essa cultura que cuida da dimensão pública do trabalho quotidiano, sem a preocupação de prestar contas não apenas do deve e haver mas dos objectivos e dos modos de agir, nada feito.

As exigências éticas constroem-se a partir de dentro de cada um mas também a partir do ambiente que se respira. Ambas são indissociáveis.




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