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A Comunicação Social e a Paz

Sugestivamente, o cartaz do XXXVII Dia Mundial das Comunicações Sociais apresenta uma pomba no ecrã de um aparelho de televisão e destaca os vocábulos justiça, verdade, caridade, liberdade. É uma forma de dizer que os Meios de Comunicação Social devem estar ao serviço da paz, mas de uma paz baseada na justiça, na verdade, na liberdade, na caridade.

N/D
29 Mai 2003

A paz continua a ser uma das grandes aspirações e necessidades dos homens. Para que seja uma realidade, é necessário que os mesmos homens se convençam do dever de serem construtores de paz, mas não de uma paz qualquer. A paz que se pretende – a única digna desse nome – é a que se baseia no respeito pelas pessoas – por todo e cada um dos seres humanos – na sua dignidade e nos seus direitos.
É falsa a paz que resulta do domínio dos mais fortes sobre os mais fracos. Essa é algo de semelhante à paz dos cemitérios, onde as pessoas não reagem, simplesmente porque… estão mortas. Os mais débeis também têm uma dignidade e uns direitos – em verdade, iguais aos dos mais fortes – que devem ser respeitados.

É importante que todos nos convençamos de que não há paz onde se não pratica a justiça, onde se não respeita a verdade, onde se não vive um clima de liberdade responsável, onde o homem se não sente solidário com o outro homem.

Os Meios de Comunicação Social têm uma importantíssima tarefa a desempenhar neste esforço de ajudar os homens a convencerem-se do dever de serem construtores de paz. Tais Meios, à frente dos quais permanece a Televisão, continuam a ser a grande escola dos tempos modernos.

São a grande cartilha que todos lêem, embora por vezes com óculos diferentes, isto é, vendo e analisando a realidade que lhes é mostrada ou as opiniões que lhes são expostas pelo prisma da sua formação, da sua mentalidade, das suas convicções, das suas conveniências e dos seus interesses.

É imperioso que os Meios de Comunicação Social ajudem as pessoas a tomarem consciência de que tudo se perde com a guerra e de que tudo se pode ganhar com a paz.

É imperioso que os Meios de Comunicação Social ajudem os homens a convencerem-se de que os diferendos existentes entre si devem ser resolvidos através do diálogo e de que a violência, quer física quer verbal, gera mais violência.

É imperioso que os Meios de Comunicação Social ajudem os homens a tomarem consciência de que o outro – seja ele quem for, tenha a mentalidade e a cultura que tiver, seja de que raça ou sexo for, possua ou não possua bens, inclusive o que pratica actos condenáveis – é uma pessoa humana com uma dignidade e com um conjunto de direitos que sempre lhe devem ser respeitados.

Os Meios de Comunicação Social também existem para informar daquilo que interessa à comunidade, ou existem sobretudo para informar disso. Com verdade, com o máximo de objectividade, com imparcialidade. Não lhes compete pintar o mundo cor de rosa, mas ajudar as pessoas, naquilo que é de interesse geral, a tomarem consciência da realidade, onde há coisas de aplaudir e coisas de condenar. Mas que não deixem de mostrar como digno de aplauso o que é de elogiar e de mostrar como condenável o que é inadmissível.

Que não tenham receio de mostrar o bem e que resistam à tentação de exagerar na apresentação do mal e muito menos à de o branquearem ou de apresentarem como heróis e como modelos de comportamento protagonistas de actos condenáveis.

Na tarefa de educarem para a paz os Meios de Comunicação Social hão-de ajudar os homens a convencerem-se de que há princípios e valores que devem ser aceites e respeitados. Salientei já a dignidade e os direitos da pessoa humana. Insisto também no valor da justiça para com todos e não apenas para alguns.

No da verdade em todas as circunstâncias e não apenas quando nos convém ou quando está de harmonia com os nossos interesses ou com os interesses dos nossos amigos. No da liberdade sempre responsável e sempre consciente dos seus justos limites. No da caridade que, vencendo as barreiras do egoísmo, gera a solidariedade mercê da qual ninguém fique insensível aos dramas e aos problemas alheios.




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