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Uma visita histórica…

O Santo Padre veio, neste mês de Maio, a Madrid para canonizar cinco espanhóis: Três religiosas e dois sacerdotes. A recepção em Madrid foi brilhante, o encontro com os jovens extraordinário, e a cerimónia da canonização esplêndida de brilho litúrgico.

N/D
28 Mai 2003

Como sempre, João Paulo II é um apóstolo e consagra toda a sua vida ao apostolado. Mas as suas visitas, como a recente a Espanha, envolvem sérias realidades de vária ordem, desde a diplomática à apostólica, o que as torna mais destacadas e de interesse na hora que se vive no plano religioso e social. Assim aconteceu na visita a Espanha.
O Presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi disse: «Nunca como nestes dias tão cruciais para o futuro da União Europeia, a sua missão e a sua obra constituem um chamamento elevado dos valores éticos e espirituais sobre os quais se funda a civilização europeia».

O Secretário Geral do Partido Socialista Operário Espanhol afirmou: «É um Papa para a paz, que defende, além disso, valores sociais importantes e, para mim, é muito positivo e muito conveniente manter boas relações com a Igreja Católica em Espanha».

O cardeal António Maria rouco pronunciou-se com muita objectividade e esperança. Disse: «Foi bem acolhido, bem recebido pelos que se não consideram católicos e pelos que não são praticantes. Foi uma visita de muitas coincidências entre todos os espanhóis. Estou seguro de que a visita do Papa já significou, e ver-se-á nos próximos meses, talvez nos próximos anos, um grande impulso espiritual, pastoral, apostólico, e que se notará principalmente no mundo dos jovens».

Quisemos dar aos nossos leitores o testemunho de sectores que estão muito próximos ou, até, ligados à opinião pública.

E que dizem os órgãos de informação? Estes penetraram no âmbito político e expressaram-se de acordo com os tempos que vivemos ou que se aproximam.

O “ABC” escreveu: «A exortação do Papa à Espanha e à Europa para que não renunciem às suas raízes cristãs encerra uma advertência para um futuro em que a sociedade europeia se está a definir política e socialmente. Nem o debate sobre o processo constituinte que a União Europeia está a realizar, nem a interpretação do processo de reencontro com a Europa de Leste, depois da sua libertação do jogo comunista, poderão alcançar a sua plenitude histórica se as suas normas e fundamentos depreciam a influência determinante dos princípios cristãos na conformação da Europa. Menor ainda se esse desprezo eclipsasse a contribuição do pontificado de João Paulo II. O Papa situou a Cristandade não na porta de entrada da nova Europa, mas na sua própria raiz».

O “Liberdade Digital”, referindo-se ao problema, escreveu: «Com a sua mensagem e a sua presença, João Paulo II reconfortou os católicos frente ao contumaz laicismo agressivo e ao relativismo moral, bem como frente às campanhas constantes de desprestígio com que a esquerda intelectual que domina fortemente o panorama mediático combate a Igreja em Espanha».

João Paulo II conhece bem os problemas graves da hora que vivemos é um arauto da paz, e enumerou os piores obstáculos à mesma: “o nacionalismo excluente, o racismo e a intolerância.
E face a esta triste realidade política, o Papa desejou para a Espanha uma convivência na unidade, dentro da maravilhosa e variada diversidade de seus povos e cidades».

Como remate destas palavras pronunciadas ou escritas quando da visita do Santo Padre a Madrid, lembramos as que dirigiu aos jovens no festivo encontro realizado. Disse o Papa aos jovens: «As ideias não se impõem, propõem-se».

Bela síntese para os educadores, sejam os professores sejam os pais. Impor é forçar a liberdade e limitar a análise dos problemas. O que recomenda, certamente, a boa pedagogia é ensinar com a palavra e com o exemplo.

O Papa João XXIII na encíclica “Pacem in terris” ensina-nos o caminho. Diz que a paz se baseia em quatro pilares: a verdade, a justiça, o amor e a liberdade.

São estas verdades que temos de viver e comunicar aos demais, à sociedade.

Isto implica uma cuidada formação pedagógica, uma preocupação constante de sentir e viver o problema que é essencial à vida e progresso verdadeiro da sociedade.

O Rei de Espanha na saudação feita a João Paulo II à sua chegada ao aeroporto de Madrid, disse: “Acolhe-vos um país moderno e fiel às suas tradições”.

Estamos chegados à tomada de posição sobre o futuro da Europa no plano jurídico e daí a preparação da Constituição.

Oxalá que esta, a Constituição, consiga respeitar, em sua redacção, as tradições desta Europa e saiba modernizar-se sem ferir a sua História secular.




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