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Ainda bem

Vou escrever duas coisas que, aparentemente, parecem contradizer-se:

N/D
25 Mai 2003

1.ª – desejava, de todo o coração, que todos os indiciados no burburinho que por aí anda, pudessem ser declarados inocentes.

É muito provável que, num ou noutro caso, o meu desejo não possa, justamente, ir além disso mesmo; mas fica expresso, ao menos como manifestação da minha vontade de que este mundo venha a ser, algum dia, o paraíso sonhado.

Aconteça, porém, o que acontecer, não desacreditarei da Justiça, porque esta – é bom que se saiba – está sujeita a errar, quer absolvendo quer condenando.

2.ª – ainda bem (entenda-se!) que estão a acontecer algumas coisas que só teoricamente se esperava que pudessem suceder…

Tal é, de facto, uma oportunidade para que se reflicta e, eventualmente, se corrijam situações que, enquanto afectaram apenas anónimos, nunca tiveram eco suficiente nem tratamento eficaz.

Sobram exemplos. A sisa, realmente, só passa claramente a imposto estúpido quando se descobre fintada por um ministro.

As escutas só abalam a democracia quando, em vez do Joaquim Forte Manivelas, atingem quem também já foi um simples Joaquim mas agora é o senhor dr Joaquim.

A prisão preventiva apenas se considera medida exagerada quando nos priva de um amigo por quem, na melhor das consciências, somos capazes de pôr as mãos no fogo.

Os negócios só se admitem obscuros quando um dos seus agentes se fragiliza e há que anular, discretamente, decisões que noutros casos iriam por aí adiante no convívio da paz repartida…

É claro que este é um momento duro; é um tempo sem certezas, que exige que olhemos para dentro e vamos buscar forças a um qualquer recanto. Sobretudo, a força de querer a verdade. Sim; porque se não a quisermos valentemente, nunca a encontraremos. E se escrevo “valentemente” é porque todos sabemos que, por vezes, apetece desistir – ora porque dá mais lucro, ora porque ninguém nos manda simplesmente ser patriotas…

À força de vontade, temos de juntar, entretanto, a serenidade. É que a verdade que procuramos é como uma moeda escapada de um bolso, no tanque da lavadeira da aldeia: apenas se encontra se se deixar poisar o lodo. Depois, sim, depois deve lavar-se vigorosamente o tanque, para que tudo seja mais fácil no futuro.




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