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Um país de terceira… na Europa

Causou um certo mal-estar a referência, com breves dias de intervalos, de duas figuras não portuguesas a que somos um país de terceira: primeiro foi o Presidente da Alemanha ao dizer, numa sessão solene na Câmara Municipal da capital, que Lisboa é uma boa cidade de terceiro mundo; depois foi o treinador de futebol do SCP, Lazlo Bölöni ao acentuar que o principal campeonato futebolístico é de terceira categoria no contexto europeu.

N/D
24 Mai 2003

As duas situações são tanto mais graves quanto ditas por figuras que nos olham desde um certo distanciamento mais ou menos sobronceria. O presidente da Alemanha parece que não queria dizer o que disse, mas a afirmação é de um escritor germânico, que ele citou. Por seu turno, o treinador-dentista, segundo alguns dos atingidos, está a comportar-se com ressentimentos de mau perdedor por ter sido despedido do cargo…
Eis breves alusões à uma certa mentalidade terceiro-mundista do nosso ‘querido país’:

* Quando há presidentes de câmara que fogem à justiça (de forma directa ou tentada), não será isto resquício de um certo caciquismo envernizado de democracia? Quando fervorosos votantes agridem quem denuncia pretensões populistas, não será isto ditadura (de maioria) disfarçada? Quando dirigentes desportivos tentam catapultar adeptos contra o poder só por que este não alinha no proteccionismo anterior, não será isto manipulação fascizante?

* Quando a comunicação social repisa notícias de teor duvidoso – com especial incidência na pedofilia, na fuga à justiça, na guerra-espectáculo e nos escândalos alcova – não será isto desinformação alienante e ao sabor de forças subterrâneas alienadoras? Quando vemos programas televisivos onde se dá primado ao desrespeito pela intimidade da pessoa, não será isto promover a falta de dignidade humana? Quando o que conta é (sobretudo) o dinheiro, pouco importando a que custo, não será isto aviltar os valores morais, tantos pessoais como colectivos?

De facto, Portugal da Europa pouco mais tem recebido do que bastante apoio material – nessa subsidio-dependência lusitana tão característica – mas que não consegue colmatar o atraso cultural de largas décadas.

A União Europeia sabe dar coisas, mas com dificuldade semeia valores – dos de índole cristã até se envergonha, embora comece a ficar baralhada com tanta tolerância, insípida, incolor e inócua! – espirituais.

Precisamos de redescobrir a nossa identidade como Nação nesta Europa balanceando entre a confusão e o oportunismo… Homens e mulheres de visão – nos mais diversos sectores da vida – precisam-se!




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