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Semana da Vida / 18 – 25 de Maio

Por sugestão de Sua Santidade João Paulo II na Carta Encíclica Evangelium Vitae, celebrou-se esta semana a Semana da Vida que encerra amanhã. Este ano que é o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, a mensagem desta semana é voltada para essas pessoas.

N/D
24 Mai 2003

Lembramos as palavras de João Paulo II por ocasião do Jubileu em Roma, no Ano Santo de 2000: “A pessoa com deficiência – pessoas única e irrepetível na sua igual e inolvidável dignidade – reclama não só cuidado, mas sobretudo amor que se torne reconhecimento, respeito e integração. (…) A deficiência não é só uma necessidade: é também e sobretudo estímulo e solicitação. Certamente que ela é pedido de auxílio, mas antes ainda, provocação nos confrontos dos egoísmos individuais e colectivos; é convite a formas sempre novas de fraternidade”.
Muitas famílias vivem angustiadas perante o futuro incerto de um membro deficiente, mas essa angústia é um apelo e temos que reconhecer que proliferam as organizações não governamentais, muitas da responsabilidade da Igreja, que se empenham a fundo por dar respostas a esses problemas, estas últimas à luz do Evangelho.

As entidades governamentais não podem alhear-se deste problema, assegurando legislação conveniente no campo do ensino, do urbanismo, do emprego, etc.

As pessoas com deficiência não são «umas coitadinhas», nesta sociedade de bem-estar e hedonismo. São seres humanos que manifestam que a natureza humana não é perfeita mas limitada, e por isso deve ser imperativo trabalhar com elas e com as suas famílias, muito mais do que trabalhar para elas.

É certo que muito se tem tentado fazer no sentido de integrar socialmente as pessoas com deficiência, com apoios estatais, ou de qualquer uma associação. Uma pessoa com deficiência não é menos pessoa do que outra sem deficiência, pois também ela foi feita à imagem e semelhança de Deus e é filha de Deus – deve ser amada como Jesus a ama e deve ser aceite no convívio social sem discriminações de qualquer espécie.

Na família o aparecimento de um filho deficiente é, a par de um grande sofrimento, causa de muita valorização dos restantes membros. Conta uma rapariga que quando nasceu um irmão com síndrome de Down, quer ela quer os outros irmãos passaram a ser menos egoístas e exigentes; não que tudo se voltasse para o pequeno ser deficiente, mas porque, era um irmão e como tal devia ser amado e aceite. Tudo passou a ser diferente, para melhor naquela família.

O que se passou com esta jovem em ralação ao irmão, passa-se em geral com os outros membros da família. Há casos dramáticos e por sinal eu conheço um em que uma criança sofrendo de ananismo foi rejeitada pela mãe, mas criada e tratada maternalmente pela irmã mais velha.

A escola também deve estar preparada para acolher, com sucesso, crianças com deficiência. Por vezes as tentativas de integração em turmas normais torna as coisas muito mais complicadas na leccionação de certas matérias, mas há sempre a possibilidade de se integrarem em disciplinas menos teóricas, como Educação Física, Educação Tecnológica ou Educação Musical. Com um ensino especializado nas outras áreas, a escola pode preparar essas crianças para mais tarde entrarem no mundo de trabalho.

Um empresário dizia que apreciava ter no seu escritório deficientes motores que se deslocavam em cadeiras de rodas, porque, dizia ele, de um modo bastante utilitarista: não estão sempre a levantar-se para ir conversar com o colega da secretária ao lado perdendo tempo e prejudicando o rendimento.

Ao Estado cabe um papel importante no que respeita ao urbanismo. Lamentavelmente ainda se continuam a construir edifícios públicos sem rampas de acesso e com toda a sorte de obstáculos para os invisuais. Já alguma coisa se vai fazendo, construindo rampas anexas que facilitam, mas o que todos pretendemos é que as construções sejam de raiz.

Conheço uma professora universitária que após uma doença se desloca com muita dificuldade. A solução para continuar a dar as suas aulas foi colocar a sua sala de aulas no rés-do-chão da Faculdade. Mas os problemas não ficam solucionados quando ela se quer deslocar à Biblioteca – aí as dificuldades agravam-se e é com muito custo que ela o faz.

E para terminar uma chamada de atenção ao que se passa com os exames pré-natais e onde são detectadas anomalias no feto. Muitas vezes são um convite ao aborto, crime hediondo, pois o feto é já um ser humano, com toda a sua carga genética. Também muitas vezes esses exames são falíveis e os pais que deixam ir a gravidez até ao fim, têm a alegria de receber um bebé saudável. A Ciência não é infalível.

Outra chamada de atenção vai para as deficiências que aparecem com o andar dos anos e tornam o indivíduo dependente. A tentação da eutanásia é grande e infelizmente já está a ser adoptada em alguns países.




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