Fotografia:
Falta de imaginação e desrespeito pela cultura do povo

Recentemente veio a público a intenção da Região de Turismo do Verde Minho de estabelecer como imagem de marca de Braga um produto concebido por um artesão de Barcelos. Considero a promoção da estatueta em questão com o objectivo pretendido uma falta de gosto e de inteligência, um abuso e um desrespeito pelas pessoas da capital minhota, uma ofensa à dignidade dos bracarenses.

N/D
24 Mai 2003

Não está em causa a obra do artista, que até pode ter valor estético. Mas, tão-só, a pretensão descabelada de fazer da dita cuja um instrumento de marketing turístico para a região.
O direito à expressão não é dizer ou fazer o que lhe der na gana. É, antes de tudo, ser responsável consigo mesmo, mas sobretudo com os outros. E fazer ou pensar diferente não é sinónimo de cultura, como alguns proclamam.

Quantos ignorantes só dizem parvoíces, embora possam ser diferentes e inovadoras relativamente a outras! Também estes têm direito à expressão. Será que passam a ser pessoas cultas? De modo nenhum. Infelizmente, alguns continuam a julgar-se promotores da cultura, mas falta-lhes o essencial: as bases educativas e os princípios éticos!

Por mais que os mentores do projecto reclamem o direito à expressão, que ninguém questiona, e que esse direito lhes dá o poder de decidirem como pensam, sem mais, não conseguem senão demonstrar a sua vulgaridade e desrespeito pela cultura enraizada nas gentes da geografia supostamente a promover.

E não se façam comparações indevidas: uma coisa é um artefacto ser assimilado pela cultura popular e outra, esse artefacto ser imposto ao arrepio dos usos e das tradições da comunidade.

Como é que uma instituição de utilidade pública pode estar tão mal representada?! Não posso gabar nem a inteligência nem reconhecer a cultura de quem está a promover uma transposição grosseira do boneco das caldas para Braga. Como se a história fosse algo que cada um escreve como lhe convém, ao sabor dos seus interesses ou inclinações. Como se o município fosse apenas seu.

Sinto-me insultado como muitos outros bracarenses e, por isso, não pude ficar calado.




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