Espaço do Diário do Minho

Outro ponto de vista…
23 Mai 2003
N/D

Parece-nos que estas situações, embora dolorosas, podem funcionar como vitamínico para uma sociedade que apresentava sintomas de desconfiança em relação a algumas instituições, nomeadamente as que têm a ver com a justiça, no seu sentido mais amplo.
É bom de ver que afinal também os “poderosos do reino” podem e devem ser sujeitos à penalização se prevaricarem.

Não opino acerca da razoabilidade das ditas detenções, antes procuro perceber que por detrás das mesmas existe uma forma nova da aplicação da justiça.

Em primeiro lugar, porque a coragem dos investigadores é acompanhada por uma acção judicial célere e eficaz, que não se rende perante a força social de alguns nomes.

Num segundo momento, realço, opinativamente, que se calhar esta “fornada” de novos magistrados vem imbuída de uma nova forma de aplicar a justiça.

Talvez, ainda, não seja de todo importante enfocar a força de uma nova forma de fazer opinião pública, seja através da imprensa escrita ou mesmo da televisiva. Não convém esquecer que foi a investigação de um jornal e de uma estação de TV que obrigou os vários poderes públicos a reagir. E bem!

Não deixa ainda de ser interessante constatar que depois da detenção de alguns, que era suposto terem um comportamento irrepreensível, venham agora dizer alguns tantos, que é necessário criar mecanismos para que os processos sejam mais céleres; em suma, que a aplicação da justiça se faça em tempo útil.

Mas não deveria ser sempre assim?

Ou temos uns e outros, com tratamentos diferenciados?

A tão propalada ética republicana? Manda-se para nenhures?

Contudo, é de bom tom reconhecer que existem instituições que funcionam bem, cumprindo as suas obrigações sociais e públicas.

Mas o que esperamos é que os homens que servem estas instituições continuem a ter a noção exacta do serviço que prestam à comunidade, não se rendendo perante as adversidades, que estou certo serão imensas, continuando a fazer o caminho, por mais escolhos que lhes ponham pela frente.

Finalmente, a constatação de que afinal as coisas funcionam, apesar das dificuldades por que passamos, é razão suficiente para encararmos de outra forma a vida e o País. Embora sejamos senhores de direitos, antes disso, somos homens de deveres.



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