Espaço do Diário do Minho

Educação
22 Mai 2003
N/D

Quer isto dizer que as pessoas de estratos sociais mais modestos são malcriadas? Genericamente, não. Há de tudo. Mas em tais pessoas até poderiam ser toleradas certas atitudes e certo vocabulário. Todavia, que um senhor engravatado, que se vangloria de um estatuto superior, seja mal comportado, use uma linguagem grosseira, venha a público com palavrões dos mais asquerosos ou com vocábulos extraídos da podridão das sarjetas… valha-nos Deus.
Infelizmente, aceita-se com mais facilidade que o tal indivíduo de estatuto superior seja malcriado do que o seja o cidadão de poucas letras e escassos recursos. E a cada passo se ouve dizer: ele malcriado é, mas é um bom profissional. E porque é um bom profissional aceitam-se-lhe todas as malcriadices, tolera-se-lhe o intolerável ou até se procuram branquear as grosserias.

Mas isto, meus amigos, principia nos bancos da escola. Se o menino tira boas notas, faz-se vista grossa aos comportamentos indelicados que o mesmo menino tem com os colegas, com os funcionários e até com os professores. As boas notas, desgraçadamente, estão acima de valores como a delicadeza de maneiras, o respeito pelos outros, a honestidade, a verdade.

É mais que urgente vir para a rua gritar que faz falta educação. Até porque, como ouvi muitas vezes à minha Mãe, à minha santa Mãe, ser educado não custa dinheiro. Mas tem-se gasto muito dinheiro com gerações de malcriados. E paga-se bem caro a autores de muitas palermices.

Por muito que custe a alguns senhores da chamada esquerda e extrema esquerda, é preciso ter a coragem de recuperar valores tradicionais que lamentavelmente se perderam. Precisamos de ser um povo de bons hábitos e de bons costumes. O respeito pela dignidade da pessoa humana, pela verdade, pela justiça, pela palavra dada; aceitar os outros como seres iguais e diferentes; o binómio liberdade/responsabilidade; a compreensão e a tolerância; o altruísmo; o respeito pelas opiniões dos outros; a verdadeira igualdade de oportunidades hão-de ser realidades palpáveis no nosso dia-a-dia.

É urgente que a Escola eduque, em vez de se limitar a ensinar (e nem sempre bem). É urgente que a grande escola que é a televisão deixe de veicular mensagens que levam o indivíduo à falta de respeito por si e pelos outros.

É urgente que quem ocupa lugares de responsabilidade e que todos os que se julgam com determinado estatuto dêem mostras de que a educação fica bem em toda a parte, eliminando toda a espécie de grosserias. Que se saiba discordar sem insultar e sem chamar nomes. Que se saiba manifestar dignamente a indignação.

É preciso educar com a palavra e com o exemplo. E será que temos educadores em número suficiente? E será que quem tem o dever de educar – e que até é pago para isso – educa mesmo? E será que educadores que querem realmente educar dispõem de condições para exercerem tão nobre missão e são devidamente apoiados?



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