Espaço do Diário do Minho

Nesta hora difícil…
21 Mai 2003
N/D

Acontece que em alguns países, como Portugal, por razões de política administrativa, por lutas políticas internas e por teimosia em não quererem ver os graves problemas do presente, alguns já vindos do passado também político, os problemas se agravaram e grandemente como acontece com Portugal e a sua presença em organismos internacionais de que somos membros. Os políticos continuam a ver esta situação com visão partidária, e em lutas internas partidárias. A isto temos assistido em Portugal.
Neste período político e económico, alguns economistas têm chamado a atenção para este grave problema e para a maneira como se tem procedido em Portugal. E têm feito propostas claras de solução.

João Salgueiro tem sido contundente e acompanha-o Rocha de Matos, Presidente da Associação Industrial Portuguesa em entrevista muito objectiva, publicada no semanário “O Diabo” de 4 de Março deste ano.

Disse: «Importa investir estrategicamente na produtividade e na competitividade de economia portuguesa».

E dá um conselho objectivo e oportuno: «Haveria todo o interesse em conseguir um consenso estratégico que vinculasse o Governo, a oposição, os partidos, os sindicatos e a comunidade empresarial em torno deste importante desígnio nacional centrado na competitividade. Assumi-lo, significa encontrar respostas mobilizadoras, inteligentes, criativas e com sentido estratégico, tendo em vista a qualificação e a modernização da economia e das empresas, do Estado e da administração pública, da educação, da formação e da justiça».

E sintetiza o seu pensamento referente ao tema desta maneira: «Qualificar, inovar, competir são, em síntese, os grandes eixos estratégicos em que a indústria e a economia portuguesa terão que alicerçar o seu futuro, enfrentando proactivamente a mudança».

Sabemos que geralmente, entre nós, se avançava para os problemas quando surgiram notícias de rendimento financeiro, e não se preparavam, os intervenientes, para conhecerem, bem a actividade que iam desenvolver e assistimos ao encerramento, por esse motivo, de empresas. Não houve a preparação profissional responsável, e a formação intelectual, excepcionalmente, é que se via projectada mas não continuada na empresa.

As empresas não se mantinham activas e sucumbiam.

O caso não era só português.

Os tempos que vivemos exigem uma preparação objectiva, cuidada e responsável, e com o sentido de responsabilidade no plano profissional.

Assistimos às reclamações dos operários de fábricas, que agora estão a encerrar as portas, e com certeza que a todos nos comovem porque era para eles a fonte de vida, e impressiona-nos a frieza e a irresponsabilidade dos industriais e pro-prietários das empresas que assim procedem, alheios às suas próprias responsabilidades.

Neste momento, como se verifica, até pelos que vêm da Europa Oriental para a Ocidental, os trabalhadores trazem uma melhor preparação profissional e uma melhor aceitação do serviço prestado. Impõe-se a consciencialização, até profissional, de patrões e operários para se enfrentar a hora difícil que vivemos, onde tem de se evidenciar o respeito pela pessoa, a consciência da responsabilidade, e a preparação intelectual dos industriais, e dos seus colaboradores, como os empresários.

Tudo isto exige uma atitude de respeito mútuo e de colaboração que tenha como objectivo servir a economia e pôr ao serviço do cidadão e não, apenas do Capital.



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