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A era do Protectorado Universal americano

1- A América mudou. Nunca fui anti-americano. Ao contrário de 70 a 80% da juventude culta da minha geração, eu apoiei a ajuda militar americana aos não-comunistas do Vietnam, Laos e Camboja, abandonados pela França impotente. Admirei Nixon e Kissinger.

N/D
21 Mai 2003

Sofri com a queda do Xá da Pérsia e levei anos a perceber Khomeini. Detestei no seu início o regime de Ortega, na Nicarágua. Abominei a expulsão de Portugal em Angola e Moçambique. Simpatizei com Carlucci. Compreendi o apoio americano à queda de Allende, presidente eleito com uns meros 36% dos votos e que pretendia tornar o Chile num estado marxista. E revoltei-me contra Carter, quando ele “devolveu” o canal do Panamá ao Estado que com este fazia fronteira.
Sendo a chamada América Latina uma região tão vasta, indisciplinada e inculta, com esporádicas e imprevisíveis ebulições, nunca levantei a voz ou a esferográfica contra a auto-proclamada doutrina do presidente J. Monroe; a qual propunha, já em 1823, que de futuro a Europa deixasse de intervir ou de tentar recolonizar as Américas; e que os norte-americanos, por seu lado, se abstivessem de intervir na Europa.

Nunca fui anti-americano. Nasci mesmo a 4 de Julho, o dia da Independência. E tenho até um 2.º primo por afinidade que é descendente de um dos “founding fathers” daquele país (no caso, do general Ethan Allen, “pai” do Vermont). Além disso sou sócio vitalício, desde 1979 (enquanto me deixarem…) da National Geographic Society. Eu gostava da América e dos americanos. Mas a América mudou. Radicalmente. Desde Reagan. E talvez mesmo (noutro sentido) desde Carter.

É que a América deixou de ser influenciada pela clássica “maioria silenciosa” dos W.A.S.P. (“white anglo-saxon protestant”, como se diz por lá) para ser um “melting pot” temperado ao gosto de cozinheiros pertencentes a minorias adventícias que outrora lá foram jurídica e socialmente oprimidas. E que são basicamente os seus sete milhões de judeus. E em muito menor grau, também os sicilianos, seus aliados de ocasião (ou nem isso). Já para não falar dos 35 milhões de mexicanos que para lá se mudaram desde a sua bela e vasta pátria azteca.

2- “Nunca sirvas a quem serviu”. Na velha e sábia Europa há este ditado do “nunca sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu; pede antes a quem o herdou, que não sabe quanto custou”. Ao que parece, à minoria israelita dos EUA já não basta, como dantes, manobrar por trás da cortina.

Hoje, os governos americanos incluem uma forte percentagem de pessoas daquela religião, ou de ateus ou conversos seus descendentes. No governo democrático de Clinton, o melhor exemplo (entre vários outros) era o de Madeleine Albright, que decidiu o bombardeamento de Belgrado, nada menos. No actual governo republicano é o próprio presidente que é israelita pelo lado de sua mãe, Barbara Bush. E entre vários outros, temos o porta-voz Ari Fleischer.

A minoria judaica é proprietária da grande maioria dos bancos, jornais, canais de televisão e produtoras cinematográficas. Só que, até há meia-dúzia de anos atrás (e como sempre no passado, aliás), mal se dava por ela; primava pela discrição e não exibia a sua imensa influência.

Hoje porém, essa minoria parece ter chegado à conclusão de que as massas (e as elites) americanas já estão tão confusas, incultas, desenraizadas, dissolvidas e sem objectivos políticos, estéticos ou religiosos de tal modo que essas minorias intrusivas dirigentes não precisam de temer minimamente as luzes da ribalta, nacional e internacional. A América é pois como um dócil cavalo para cuja garupa eles saltaram, a troco de 2 ou 3 torrões de açúcar…

Tem pois cada vez mais razão o diagnóstico feito ao povo americano por esse seu grande escritor, jornalista e intelectual que foi Henry Louis Mencken (1880-1956). Para ele, os seus compatriotas eram (e as palavras são suas) “a mais timorata, fingida, acobardada e ignominiosa multidão de servos e seguidistas alguma vez junta na Cristandade debaixo de uma só bandeira, desde o fim da Idade Média”.

Terminado em 1945 o bem mais eficiente “sistema de potências múltiplas” (que variavam as suas alianças) e sendo este substituído pelo das 2 superpotências (que durou até 1991) acha-se agora a América na confortável situação de única super-potência, do qual vem abusando. Invadiu o Panamá (já em 1989) e depôs o seu presidente M. Noriega, antigo agente (infiel) da CIA. Invadiu e depôs o presid. comunista da pequena ilha de Granada (Antilhas).

Depois (em flagrante violação da doutrina Monroe e através da NATO) interveio na guerra da Bósnia, contra os sérvios cristãos e a favor dos turcos muçulmanos; e bombardeou por 3 meses seguidos a Sérvia, até que esta retirasse da sua ancestral província do Kosovo, que ficou então à mercê dos colonos albaneses (muçulmanos também).

Se a intervenção americana na Somália (aliás injustificada) falhou, isso deveu-se à combatividade dos milicianos tribais de Aidid, por acaso um antigo soldado de Mussolini. No Afeganistão a invasão americana poderá desculpar-se como retaliação à destruição das Twin Towers e da 5.ª ala do Pentágono.

Porém, a permanência de tropas de Washington naquele “país dos selvagens vestidos” (e ao seu tratamento aos prisioneiros de guerra, na base de Guantánamo) são já claras violações do Direito Internacional.

3 – A conquista do Iraque. Com a invasão e conquista do Iraque, a América fez recuar o relógio da História e pôs em causa muitas conquistas que os da minha geração tinham por adquiridas. Abalou especialmente a autoridade respeitadíssima (de árbitro indiscutível) da ONU, no seu poder de reprovar as agressões internacionais óbvias e de ter a força para castigar os culpados.

Pela 1.ª vez na História, a América provoca sem qualquer cerimónia todo o mundo árabe e islâmico, ao invadir sem qualquer motivo sólido o seu berço multi-milenar; ao conquistar a nação-mãe de todos os povos árabes, humilhando-os. E depõe um ditador que, pelos vistos e apesar de o ser, tinha uma popularidade local na casa dos 60 a 70%. Destrói os seus belos palácios, encoraja os saques de hospitais e de museus e bibliotecas que eram património de toda a Humanidade, dispara canhões contra jornalistas. Todos estes erros de cálculo irão sair muito caros à América, não no curto mas no médio prazo.

Desde o Império Romano que nenhum Estado, sozinho, se arrogava com sucesso o domínio do Mundo. Só que os tempos são outros. E a memória de Hitler ainda está muito viva; aliás sempre refrescada (ironicamente) por esses israelitas que hoje tão fortemente influenciam a América. Se o mundo não quis um “fuhrer” alemão ou italiano, ainda menos há-de querer um “fuhrer” judeu, chame-se ele Bush, Franks, Albright ou Sharon…

Para nós, europeus, é altura de recordar a memória e o exemplo de Charles de Gaule, esse sim uma referência genuinamente democrática. É que, no meu tempo (e no do meu pai e no dos meus avós), não eram, como hoje, as Democracias que ameaçavam e invadiam as Ditaduras; mas as Ditaduras que invadiam os países democráticos. E foi por isso que as Ditaduras se tornaram tão impopulares. E caíram…




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