Espaço do Diário do Minho

743. Senhora Ministra da Justiça:
21 Mai 2003
N/D

Até porque, desde que a informação chega à Comunicação Social, nada a detém e a sua propagação é incendiária. E sabemos que as fugas de informação, por deficiente funcionamento das instituições, são uma constante.
Depois, deixemo-nos de ilusões, temos vivido num país de casos de polícia e este é, apenas, com todos os ingredientes melodramáticos e cómicos que o envolvem, mais um. Ultimamente, então, não tem havido mãos a medir. Eles foram os casos de Isaltino Morais, Hugo Marçal, Funcionários das Finanças de Setúbal, Sobral de Sousa (ex-autarca da Amadora) e Cruz Silva (deputado do PSD).

Decididamente, os juízes e polícias andam numa roda viva tal é o estado de corrupção e criminalidade fiscal de colarinho branco a que chegou o país. As televisões, rádios e jornais não param e, diariamente, encontram grandes temas para grandes reportagens que envolvem de tudo: autarcas, ministros, deputados, polícias, burocratas.

De tudo! Numa clara demonstração de que o país perdeu o tino, está a saque e, desgraçadamente, num momento em que mais precisa de unidade, confiança, solidariedade para debelar a crise económica que atravessa.

2. A segunda questão, senhora Ministra: Porque foge Fátima Felgueiras? Obviamente, porque teme estar, meses e meses, em prisão preventiva, à espera de ser acusada e julgada, como estão milhares de presos. Ora, senhora Ministra, nestas circunstâncias, qualquer um faria o mesmo.

Fátima Felgueiras diz-se inocente e vítima de uma cabala política. E, apesar de há vários meses, haver fortes indícios para estar presa e ser julgada, tal não aconteceu e quase somos tentados a pensar que lhe deram tempo para tudo. Até para fugir!

Como diz o meu bom Amigo Z.E., em jeito de conversa à mesa do café: mas que jeitaço dá a sua fuga à ministra das Finanças, pois sempre é menos um a comer do Orçamento! E eu acrescento: então, se o remédio para reduzir o défice é esse, como diz a canção, soltem os prisioneiros!
Bem, agora a sério. Declaradamente, a nossa Justiça tem destas coisas. É lenta e burocrática! E tarda! E os tribunais não possuem os meios, humanos e materiais, necessários para atacar a hidra que, há muito, a oprime.

Agora, uma coisa é certa: todos sonhamos com uma sociedade sem polícias, nas ruas e esquadras! E prisões abertas! E tribunais em férias! O tal jardim à beira-mar plantado de que falam os poetas e as agências de viagem!

Mas, as coisas não estão fáceis. As prisões estão a abarrotar, a criminalidade aumenta, uma crise de carácter, de pensamento, crise moral, crise espiritual de vastas proporções varre todos os sectores de actividade e põe a Justiça a ferro e fogo e com dificuldades para conter o fenómeno!

E, sendo óbvio, que o bem-estar pessoal e social de um povo passa também pelo estado da sua Justiça, motivos temos de sobra para sermos um povo desgraçadinho e infeliz? Um povo atrás de grades!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!



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