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O eterno conflito de gerações: filhos de abortistas são pro-vida

O problema não é novo. Acompanha-as gerações ao longo dos tempos. Nos actuais, onde a influência da educação familiar diminui o seu peso na nossa sociedade, o eterno conflito de gerações parece agudizar-se de forma crescente, com a tomada de posições contrárias às grandes opções que os pais apoiavam, tantas vezes com veemência e de forma contundente.

N/D
20 Mai 2003

Nas sociedades livres, este fenómeno surge como o pão nosso de cada dia. Nas sociedades fechadas, onde o poder central, autocrático ou ditatorial domina capilarmente a educação, o conflito de gerações surge de forma mais encapotada. Mas, quando encontra uma escapatória, manifesta-se de modo algo surpreendente, fazendo as delícias de quem se lhe opõe e causando mal estar nas classes dominantes.
Assim acontecia, por exemplo, nas sociedades comunistas do antigo Leste europeu, que ruíram como um baralho de cartas sem consistência, apesar de todos os esforços e estruturas repressivas das polícias políticas e do poder monotemático que, à força de repetir os mesmos chavões durante décadas, acabaram por não convencer ninguém e perder a autoridade que conseguiram impor com os seus regimes de ditadura dominada pelos oficiais e pelos aparelhos policiais e militares fiéis ao partido.

Nos Estados Unidos, sociedade diferente e aberta, entre os tempos dos pais e a dos filhos, o conflito e a discrepância acentuam-se, sobretudo se tivermos em conta algumas questões de fundo. É o que está a acontecer nos nossos dias com as atitudes sobre o aborto.

No passado mês de Março, o New York Times (30/03/03) publicou uma reportagem de Elizabeth Hayt, também tratada pela estação televisiva CBS, sobre a posição assumida pelos jovens norte-americanos (idades compreendidas entre os 18 e os 19 anos), a respeito do aborto livre.

Desde 1993 até Janeiro do corrente ano, o incremento de atitudes desfavoráveis aumentou consideravelmente, tendo em conta que na primeira data o apoiavam 49% e na segunda apenas 39%.

Na reportagem aludida, cita-se o caso curioso de uma jovem de 16 anos, filha duma activista pro-choice (isto é, defensora do aborto), que afirma taxativamente: “Não acredito no aborto seja em que circunstância for, inclusive no caso de violação”. Uma professora da escola frequentada por esta rapariga confessa que, actualmente, os adolescentes possuem convicções sólidas sobre esta temática, que se assemelham àquelas que, com o mesmo denodo, defendiam nos anos setenta os seus pais a respeito do aborto. Ou seja: se há trinta anos a maioria lhe era favorável, agora começa a acontecer o contrário

Também uma sondagem realizada pela Universidade da Califórnia em Los Angeles a mais de 282.000 alunos de 437 escolas revela esta tendência: o número de apoiantes do aborto legal está a diminuir entre a juventude. Assim, se em 1993 o defendiam 67% dos jovens interrogados, agora só 54% emitem esse parecer, o que significa um decréscimo de 13% em dez anos.

Que razões existem para esta mudança de opções? Alguns peritos falam da descida notável do número de gravidezes entre as adolescentes (21%), o que diminui a procura do aborto, a aceitação das mães solteiras entre a sociedade e ainda o desenvolvimento da tecnologia dos ultra-sons, que mostrou melhor o rosto humano do feto. Outras causas são apontadas, como a maior aceitação social das adopções pelos casais inférteis, a preocupação pela SIDA e outras doenças de transmissão sexual. Curiosamente, se o número de estudantes que mantém relações sexuais desceu, houve uma subida no uso de anticonceptivos.

Mas há também uma luta por parte dos adeptos das soluções pro-vida (condenatórias do aborto e defensoras do direito incondicional à vida), que está a ganhar foros novos de aceitação. A sua argumentação centra-se mais nos direitos do feto do que nos da mulher, o que leva os jovens a reflectir com vigor no significado da realização do aborto provocado.

Para esta alteração de posicionamento, não foi despiciente o facto de ter havido nos USA, por parte dos meios de comunicação social nos últimos anos, um interesse e uma certa difusão de imagens e de considerações sobre o chamado partial-birth abortion.

Trata-se dum tipo de aborto provocado – também chamado por dilatação e evacuação – que consiste em extrair parcialmente o feto ainda vivo, com excepção da cabeça da criança, a fim de aspirar a massa encefálica e assim comprimir o crânio, de maneira a que depois possa sair facilmente pelo canal do parto.

Este espectáculo de chacina horrorosa terá levado muitos jovens a compreender melhor que o aborto provocado, mesmo se é denominado eufemisticamente por interrupção voluntária da gravidez, não passa da condenação à morte dum ser inocente, sem qualquer defesa, que tem a pouca sorte de ser germinado no seio duma mãe a quem convencem que é melhor e mais racional matar um filho do que gerá-lo em condições adversas ao seu bem estar, a que chamam “qualidade de vida”.




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