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Quousque tandem, Fidel?

Cuba é uma lendária e romântica Ilha perdida algures lá para os lados dessa atracção turística que dá pelo nome de Caraíbas. As águas das suas maravilhosas praias, a começar pela de Varadero são mornas, bonançosas e tão transparentes que deixam, através do fundo de cristal dos barcos, observar com nitidez aquele deslumbrante e irrequieto bailado dos peixes nas profundezas do mar.

N/D
16 Mai 2003

A imagem que tem corrido o mundo durante mais de 30 anos é a de uma Ilha que, pela experiência revolucionária socialista, constitui o paraíso da terra. Foi a curiosidade de conhecer coisas novas que me levou até lá para conhecer in loco essa nova realidade tão badalada nos roteiros turísticos.
Ali, procurei conhecer e compreender a metamorfose operada a partir da queda do ditador Baptista que depois de ter tentado com êxito um golpe de Estado se recusara a formar um governo de Unidade Nacional que desse pelo menos uma aparente estabilidade ao regime imposto.

Acabou por fugir abandonando Cuba à maior confusão política. Assim ficou facilitada a tarefa daquele jovem sonhador advogado que da montanha desce para influenciar com o seu verbo fácil os descontentes.

E assim, por volta de 1960, Fidel Castro agarra o poder. Começa a Revolução Socialista em Cuba a partir de 1961, convertida no primeiro país comunista, mesmo nas barbas do território dos Estados Unidos da América! Afirma-se Marxista-Leninista com surpresa até para os seus camaradas de partido. Está feito o frete à então poderosa potência da União Soviética.

Não tarda que o Comandante Fidel, para sobreviver, “arrende” Cuba, para provocação dos americanos e espanto do mundo ocidental. Com o preço daquela “renda” paga pela União Soviética começa o período áureo daquela República Socialista.

Sobe o nível de vida do seu povo, então precário. Constroem-se escolas, hospitais, vias de comunicação. Já não falta petróleo. Moderniza-se o exército revolucionário, etc., etc. Só que o investimento é bom de momento, mas precário no futuro porque parte de um pressuposto errado.

Assenta no rumo ao comunismo baseado na confiança dos sistemas socialistas radicados em alguns países, sobretudo a Leste.

Mas os tempos mudam. Cai o muro de Berlim. A União Soviética fragmenta-se, dando lugar a uma comunidade de Estados independentes mais interessados na democracia representativa praticada no Ocidente. «E tudo o vento levou». Foi-se o período das vacas gordas. Morto o arrendatário deixa de haver “renda” e os rublos não voltam mais a Cuba que regressa ao ponto de partida. Terá agora de contar só com os seus recursos naturais: agricultura, pesca, e, hoje mais que ontem, turismo também.

Cuba está a agonizar! Falta tudo! As lojas estão vazias! Só a custo, e com senhas de racionamento, vai sendo possível adquirir, depois de horas na bicha, alguns produtos essenciais à vida; é todo um povo que nunca foi comunista nem fascista e que vai morrendo à míngua sofrendo na pele e na alma os erros dos seus políticos; um povo que sofre a obsessão da fuga para Miami na busca de poder mudar a atribulada vida. Um povo envergonhado e enganado que mostra ao mundo muitos dos seus filhos mutilados uns e traumatizados psiquicamente outros, por terem ido combater na guerra fratricida de Angola que nada tinha a ver com a defesa de sua Pátria!

Que Bush acabe já com o embargo económico imposto pela famigerada Lei Torriceli. O embargo já foi longe de mais e já não há razão para continuar, pois só afecta o povo. Os tempos são outros. A rampa de mísseis que ameaçava a América de Kennedy, e a humilhação sofrida pelo fiasco da contra-revolução que morre ao nascer na célebre Baía dos Porcos, pertencem ao passado. Quem sofre é o povo, pois Fidel tem tudo que falta àquele; só lhe vai faltando e cada vez mais a terra debaixo dos pés que pisa há várias décadas.

Que parta, e já, Fidel Alejandro Castro Ruz. Cuba não voltará a ser a casa de putas dos americanos, como afirmara ele em 1958! Não espere também mais uma vez que a história o absolva, como disse em tribunal, ao defender-se do assalto em 1953, ao Quartel de Moncada.

O mundo mudou e Fidel parece não se ter apercebido disso. Acaba de ensanguentar as mãos com o fuzilamento de mais três filhos da terra, e só porque tentaram libertar-se de um regime que oprime o povo. A ambição do poder é tão doentia que até traiu o velho camarada de armas, Che-Guevara, assassinado por uma rajada de tiros, em 1967, nas selvas da Bolívia, para onde tinha sido empurrado por Fidel, para derrubar o regime.

«Os serviços secretos cubanos mentiram para Guevara e fizeram com que ele caísse na armadilha». Quem o diz é o comandante Benigno, companheiro de armas de Che, que estava a 200 metros do local da emboscada que pôs termo à vida do revolucionário.

E vive hoje, em Paris, exilado, por ter receado que lhe acontecesse o que acontecera ao general Ochoa, fuzilado em 1989, juntamente com os irmãos La Guardia, acusados de narcotráfico. Mais diz Benigno: «que o que eles faziam era tudo a mando de Fidel. Ochoa era um dos homens mais populares de Cuba – um herói nacional». São todos assim os ditadores. Matam cruelmente para atrasar a perda do poder absoluto! Quousque tandem? – Até quando, Fidel?

Parece adivinhar-se, num futuro próximo, um Estado Supra-Nacional, formado por países livres, que acabe com a não ingerência junto desses regimes de terror. Que venha, e depressa. Ontem já era tarde.




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