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Família: célula da esperança

Uma notícia, uma homilia e um acontecimento motivam a nossa reflexão sobre a família como célula da esperança.

N/D
15 Mai 2003

A notícia tem a ver com a caixa deste diário no passado dia 13: ‘Comércio ao domingo fragiliza a família’, na medida em que «consolidação e a estabilidade familiar constituem factores determinantes do desenvolvimento integrado e harmonioso da sociedade».
Por seu turno, D. José Saraiva Martins na homilia que proferiu, em Fátima, durante a peregrinação aniversária nesse mesmo dia de Nossa Senhora de Fátima, referiu-se à família como a célula da esperança, tanto para a sociedade como para a Igreja.

Por outro lado, o acontecimento em fundo tem a ver com o pretenso ‘dia mundial da família’ – declarado pela ONU – que ocorre a 15 de Maio.

Tendo por ponto de referência a mensagem de Fátima, o cardeal Saraiva Martins, Perfeito da Congregação para as Causas dos Santos, inseriu a sua reflexão sobre a crise de fé, onde o relativismo ético tem conspurcado as relações na Europa desencontrada das suas raízes cristãs. A família, neste ambiente anti-vida, sofre os mais diversos ataques, seja pelas propostas em favor do aborto ou da eutanásia, numa «crescente e desenfreada secularização».

Quanto ao (dito) dia mundial da família torna-se benéfico recordar que foi nesse mesmo dia 15 de Maio que o Papa João Paulo II, na sua primeira visita pastoral a Portugal, em 1983, se deslocou ao Sameiro para aprofundar a temática da família.

Quem não se lembra do nevoeiro que envolveu a cidade de Braga e arredores, tendo modificado a forma do Papa fazer a sua viagem entre Coimbra e Braga! Não terá sido premonitório aquele tempo sombrio, enregelado e constrangido para a família no nosso país? Estava a fervilhar em Portugal o clima pró-aborto, crescia a derrocada da opção anti-natalidade… e a Igreja Católica perdia (já) na incapacidade de transmitir os valores cristãos!…

Se atendermos aos dados estatísticos mais recentes poderemos ver que, só nos últimos dez anos, os casamentos decresceram de cerca de sessenta e oito mil em 1993 para pouco mais de cinquenta e oito mil em 2001, enquanto os divórcios aumentaram de doze mil em 1993 para dezanove mil em 2001, verificando-se ainda o crescimento de filhos fora do enquadramento familiar tradicional (casamento e/ou matrimónio) de pouco mais de dezanove mil em 1993 para quase vinte e sete mil em 2001.

Como poderemos acreditar nas boas intenções de governantes e fazedores de opinião se a família é substituída por novos modelos sócio-fetichistas, onde tudo se desenrola pelo mais baixo da sexualidade?

Como poderemos ter confiança no futuro se a comunicação social dá, preferencialmente, cobertura às ‘ousadias’ de certos grupos avessos ao compromisso sério e estável, aberto à vida e à responsabilidade?

Será mesmo a família uma verdadeira célula de esperança, com tantas nuvens no horizonte?

Oxalá descubramos novas pistas… na sociedade portuguesa.




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