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Uma lição objectiva e oportuna

Silva Resende publicou recentemente um livro objectivo e oportuno que titulou: “Raízes. Mil anos de Portugalidade”. Com a oficialização da União Europeia, a executar brevemente com uma Constituição apropriada, o problema das nacionalidades vai ser tratado e, sobre ele, há já divergências em relação à afirmação da presença de Deus, ou seja, da Igreja Católica nesse acontecimento histórico.

N/D
14 Mai 2003

Silva Resende, não esconde nem apaga a influência da Igreja Católica na constituição da nacionalidade portuguesa.Mas não é este o objectivo do seu trabalho. O objectivo é trazer, nesta hora que vivemos de pouco respeito pela História e de muita indiferença pelo que é da nossa História nacional, os factos que contribuíram para a constituição de Portugal independente.

O autor leva-nos a um percurso longo, “Mil Anos de Portugalidade” e, portanto, às suas “Raízes”. E perante esta realidade percorre a História e cita os Historiadores que ao problema se referem. É um trabalho objectivo e nobre.

Nos tempos que vivemos, há pessoas que se dizem “historiadores” e se proclamam “desapaixonados” que calam a voz e a força da Igreja na fundação da nacionalidade. Silva Resende recorda-as, porque, além do mais, são uma exigência histórica.

O autor refere, em destaque especial o arcebispo D. João Peculiar do qual afirma: «Sem dúvida o vulto maior da fundação do Estado, a seguir ao Infante».

Pelo que vemos, no ensino oficial que a democracia de Abril nos trouxe, a História, de Portugal não conta nem para os professores nem para os alunos.

Há poucos meses, um catedrático de Letras da Universidade de Lisboa, em entrevista à imprensa, tornou pública a resposta de uma aluna que não sabia a data da fundação de Portugal…

Silva Resende remata este seu livro com estes dois parágrafos: «Pena enorme é constatar quanto ele – D. Afonso Henriques – e todas as ante-riores gerações desta gesta imensa da independência Nacional são tão pouco conhecidos da nossa juventude e, consequentemente, tão pouco enaltecidos e amados.

Culpas? Somente poderão ser assacadas dos que têm em mãos as armas poderosíssimas da educação e tão mal as utilizam.

Com estas armas, hoje em dia, se engrandecem ou derrubam as pátrias! Se revigoram ou derrancam nossas raízes…

Esquecer esta verdade, é trair».

O comentário é objectivo e oportuno. E todos os responsáveis pelo ensino e pela educação patriótica não podem olvidá-las ou deturpá-las como acontece actualmente.

E o problema torna-se mais grave e oportuno face aos acontecimentos europeus em que os países trabalham na feitura da Constituição.

A emigração que se tem verificado após a segunda Grande Guerra já constitui um problema grave na formação da juventude no campo da História. Em Portugal, não frequentam as escolas, pois vivem no estrangeiro; Aqui, no estrangeiro, não se abordarão os temas com destino aos estrangeiros e sua História nacional, e, no final dos estudos, permanecem no estrangeiro e não regressam à Pátria. Por sua vez, os que aqui permanecem não têm tido o ensino da História Nacional com a objectividade e o interesse que a mesma História exige.

O novo governo deu, pelo menos, em programa, destaque ao ensino da História Nacional. Mas depois de tantos anos de revolução a combater , ou a desprezar, ou a deturpar a História, haverá ambiente para corrigir o mal existente e despertar o interesse do aluno?

Mais: estarão os professores dispostos a ler atentamente a Constituição Europeia que vier a ser aprovada e a conseguir que o programa nacional académico sobressaia com o interesse nacional que lhe é devido?

O problema é grave e merece reflexão cuidada de todos os portugueses, mormente os responsáveis pelo ensino e pela influência do mesmo na preparação e formação dos jovens no plano nacional.




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