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Corruptos quanto baste…

É assustador o número de autarcas e funcionários públicos que têm sido chamados a responder por alegados crimes em que roubam e prejudicam os cidadãos que além de, no caso dos primeiros os elegerem, ainda pagam o seu salário. Parece que, hoje em dia, os senhores políticos que obtêm o poder ao nível dos municípios ficam absolutamente tresloucados e começam a roubar, a saquear, a usar indevidamente o dinheiro dos outros, sem dó nem piedade e ainda por cima com a consciência completamente tranquila. São os nossos dinossauros…os senhores dos esquemas, dos negócios, do jet-set, aparentemente detentores de uma imaculada dignidade, mas uns verdadeiros “borra-botas” em termos de princípios e honestidade.

N/D
13 Mai 2003

Mas, hoje em dia, a “rede” é muito mais extensa, sofisticada e abrangente, tal qual a tão famosa máfia de leste que dizem ter-se instalado em Portugal. Recentemente funcionários das finanças também foram detidos e terão de esclarecer perante a justiça os actos que praticaram.
Além disso os próprios partidos não são isentos de responsabilidades, senão vejamos. Em 2001 Fátima Felgueiras já era suspeita de actos menos lícitos na gestão da Câmara Municipal, no entanto, o seu partido, visando apenas a vitória nas eleições, indicou-a como candidata. “O Partido Socialista apoia a Dra. Fátima Felgueiras, pois está ciente da sua idoneidade e da legalidade das suas acções” disse um destacado dirigente rosa quando confrontado com a pergunta de um jornalista. Em 2003 o mesmo partido pede a cabeça da autarca, exige eleições antecipadas e até aposto que já tem um candidato idóneo e 100% transparente para colocar no “pelouro”.

Fátima Felgueiras nem teve a coragem de dar a cara e provar a inocência que tanto alega e, colocando-se ao nível de um qualquer ladrãoseco de meia tigela, fugiu supostamente para o Brasil de onde não pode ser extraditada para ser julgada em Portugal, pelo simples facto de ter dupla nacionalidade. O Direito por vezes tem destas coisas…

Mas o pior de tudo são aqueles que nós sabemos serem corruptos, ou pelo menos indiciar tal facto de uma forma bastante evidente, que se dão ao luxo de gozar com a cara das pessoas, justificando a aquisição de património incompatível com o seu salário de autarca, com argumentos ridículos de amigos fenomenais que fazem empréstimos fabulosos, até aqueles que nada têm em seu nome mas cuja família possui uma fortuna colossal, provavelmente caída do céu.

E a sociedade acomoda-se usando o argumento de que “o que lá está já roubou tudo o que tinha para roubar e que se meterem lá outro terá que roubar tudo de novo”. Há também aqueles que consideram que um determinado autarca fez tão bem pelo seu concelho (o que aliás deve ser sua obrigação) que não faz mal roubar um pouco, não se apercebendo que esse roubo sai dos seus próprios bolsos. Ou seja, um político aos olhos do povo é sempre corrupto e portanto aquilo que se escolhe em eleições é o melhor entre os piores.

É inadmissível que num estado de direito democrático o eleitor considere normal a vigarice dos políticos. É uma falta de respeito para os que não o são (porque de facto os há) e é a total subserviência a quem anda a enxovalhar toda a classe política e que não merece nenhum voto, nenhum cargo, que consegue através da manipulação do aparelho partidário correspondente. BASTA! Acho que as pessoas têm de assumir de uma vez por todas as suas responsabilidades e ocupar o lugar que lhes é atribuído na sociedade democrática.

Vivam a democracia…façam parte dela! Nunca se contentem com o pior quando podem ter o melhor!

Tudo indica que Portugal está a caminhar para a justiça. Que todos os que têm “telhados de vidro” respondam perante ela independentemente do seu cargo, da sua situação financeira ou do seu estrato social. Que todos os dinossauros corruptos deste país sejam chamados a responder pelos seus crimes e que o povo tenha a coragem de assumir as suas responsabilidades no sistema com ambição, responsabilidade e dignidade.




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