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O prometido é devido

Quem observar o panorama da vida política, reparará que algumas coisas não se passam como se prometeram, aquando da florida revolução abrilina.

N/D
12 Mai 2003

De facto, a par de algumas notáveis melhorias, que são sempre de louvar e enaltecer, como a liberdade de opinião, o progresso e o bem-estar social, há também evidentes contradições, entre aquilo que se esperava viesse a ser e o que realmente se passa.

Durante a revolução, cantaram-se slogans, anunciaram-se princípios e prometeram-se normas, que foram aceites e queridas de toda a gente.

Passados que foram alguns anos, ao lado de boas novidades, surgem também coisas que não deviam ter acontecido.
Eu sei que é ainda muito cedo para fazer a história da revolução.

Contudo, já lá vão vinte e nove anos, e já era altura de Portugal viver mais desafogadamente e ocupar outro lugar na contextura europeia.

Um dos slogans mais falados e cantados, na altura, foi o célebre refrão… «O povo é quem mais ordena»!…
Contudo, a realidade, em algumas circunstâncias, é bem diversa e, de certeza, que o povo se sentirá muitas vezes esquecido.

Há até quem diga que a actual coligação governativa, legitimada pelo voto popular, tem o governo, mas falta-lhe o poder que continua na mão de diversas corporações, que o povo não escolheu.

Muitas vezes, o governo vê-se impotente para cumprir o seu programa, porque depara com legislação e normas corpo-rativas que, de uma maneira ou de outra, manietam a actuação governamental.

– Quando este governo, escolhido e votado pelo povo, tomou posse, houve problemas na RTP.

De onde partiram?… Nada mais, nada menos, do que de associações não votadas pelo povo.

Aqueles que o povo escolheu para governar foram impedidos de cumprir o programa relativo ao assunto, precisamente, por grupos de «sabidos» corporativistas, que bateram o pé e fizeram a vida cara aos escolhidos do povo.

Como resultado temos que a independência televisiva, com a liberdade e autonomia de que vem gozando, sem controle governamental, arruinou a família, perverteu os costumes tradicionais do povo e deu à informação um carácter doentio e sádico na procura de sinistras notícias, olvidando as coisas boas que sucedem no País.

Houve problemas e dilações com a aprovação do Código do Trabalho. Por isso, pergunta-se:
– Os que travaram e dificultam a marcha dum instrumento necessário ao desenvolvimento do País, foram escolhidos pelo povo para governar o País?…

– As dificuldades postas aos «genéricos», no Ministério da Saúde, à reforma do ensino, no Ministério da Educação, e a outras acções governativas, partiram do voto popular ou de associações corpo-rativistas?

– O falso conceito de liberdade, em voga em diversos sectores, não tem possibilitado, a contra gosto do povo, a pouca vergonha a que vimos assistindo, em diversos quadrantes da vida?

– Não se nota, em sectores da sociedade, uma tentativa de abandalhar a sexualidade, já só faltando aparecer um ener-gúmeno a defender que o homem se pode unir e fazer sexo com o animal?…

– A tardia punição do crime não tem facilitado a vida do criminoso e desprotegido os homens da segurança?…
Ora, não me digam que o povo ordenou estas coisas.

Todavia, se o governo, legitimado pelo povo, quiser pôr cobro a esta barafunda, é logo acusado de estar a limitar a liberdade dos cidadãos.

Há uma enorme confusão entre liberdade e libertinagem; entre legitimidade do voto popular e legitimidade corporativa.
A legitimidade corporativa não pode dificultar, nem contrariar a acção legítima e normal do sufrágio universal do povo.
Só pode governar a nação quem o povo escolher e a quem o povo possa pedir contas no final do mandato.

O resto são “habilidades” subtis de personalidades e corporações, que estão mais agarradas aos “tachos” e aos pelouros do que as lapas aos rochedos do mar.




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