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Serviço XL… de Deus nos outros

Ao ler a Mensagem do Papa para o XL Dia Mundial de Oração pelas Vocações (11 de Maio) fomos respigando algumas vertentes interpelativas da significação vocacional nos nossos dias. Com efeito, um certo declínio de pessoas fascinadas pelo chamamento de Deus pode ser lido de variadas formas: como revelador de um afastamento do apelo divino, uma aparente atitude de descristianização ou mesmo um decrescendo da busca e/ou entrega em favor dos outros, enquanto presença de Deus para nós.

N/D
11 Mai 2003

Do título de promoção – Em tempos mais ou menos remotos o recurso aos estudos em seminários ou casas religiosas era oportunidade para muitos rapazes ou raparigas se cultivarem humana e culturalmente. Isso até serviu para criar um certo clima anti-clerical nalguns sectores, particularmente no âmbito intelectual.
Nalgumas localidades rurais o “ser padre” tornava-se mesmo num título social de maior ou menor projecção, pois essa “figura” de alguém culto emergia de entre uma massa amorfa, conservadora e acrítica. Até mesmo a família do clérigo ou religios/a sentia-se como que arrastada na onda de outra influência social.

De facto, estamos a viver ainda os resquícios dessa época conturbada do pós-Concílio Vaticano II, acrescentada com a Revolução de Abril na sociedade portuguesa. As vocações à vida consagrada e eclesiás-tica não têm mais esse ambiente social das décadas de 50 e 60. Pelo contrário têm agora a marca de uma certa abjuração colectiva do alcance mais ou menos capcioso da influência da Igreja Católica na vida pessoal, familiar e social. A hora é de reflexão… humilde, atenta e prospectiva.

* À razão de entrega – «A vocação sacerdotal ou religiosa é sempre, por sua natureza, vocação ao serviço generoso a Deus e ao próximo», diz João Paulo II na Mensagem para o Dia das Vocações. De facto cada vez menos se compreende que alguém queira entrar no caminho de serviço aos outros na Igreja se não houver uma forte motivação de serviço: desprendido e gratuito, livre e digno, permanente e radical. Com efeito, agora os estudos com mais alcance são outros, as influências familiares estão centradas noutras vertentes – os pais preferem que os filhos sejam “doutores e engenheiros”, nalguns casos colmatando as suas aspirações! – e Deus não entra no leque de prioridades.

Quantas vezes as conversas em família são mais em depreciação do teor espiritual da vida do que em função das realidades de matiz cristã. Como pode um adolescente ou jovem desejar ser padre, religioso/a ou missionário se em casa ouve falar mal de algum dos ministros de Deus? Afinal, basta muito pouco para desfazer o que se possa estar a pretender construir!

* Servir melhor… Deus nos outros – «Caros jovens, cultivai a atracção pelos valores e pelas escolhas radicais que fazem da vida um serviço aos outros, sob as pegadas de Jesus, o Cordeiro de Deus. Não vos deixeis seduzir pelas chamadas do poder e da ambição pessoal», diz também João Paulo II. Será que temos homens e mulheres que vivem radicalmente em vocação consagrada, que atraem os mais novos ou que são testemunhos vivos? Seremos mesmo a melhor promoção vocacional? Quem desejará ser como nós?

O serviço XL (extra-longo) da vida de padre-religios/a-missionário passa pelas coisas mais pequenas do nosso dia a dia. Assim nos conheçamos nas fraquezas e nas virtudes, nos defeitos e nas qualidades… em ordem a saber mais para servir melhor!




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