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Páscoa… Primavera cristã

A guerra estará prestes a terminar… Não vou falar de sentimentos nem de horror bélico. Sim, que já vimos demais… A uma fase de tirania, segue-se a da anarquia, e depois talvez a da democracia. Será? Não creio. Esta, mesmo “bota rota bem coçada”, ainda não existe entre os portugueses, a não ser a máscara. Quanto mais nos muçulmanos, com outra mentalidade, cultura e costumes?!

N/D
10 Mai 2003

Terminará a guerra, o que não significa que logo virá a Paz. Esta é o resultado de outras forças interiores, invisíveis, inefáveis e não da neutralização de forças ou de ditadores.
Como diz Theodor Fontane quem verdadeiramente ama a sua casa, ama também a sua pátria.

Mas a mancha com que nascemos, encerra em si centenas de poderes. Isto não impede todavia que seja crítico, mesmo cáustico, se feito com um fim construtivo.

Alguns preferem as tácticas de avestruz, estupidamente inteligentes e inteligentemente estúpidas, que nos levam a não ver ou ignorar os defeitos, formando-os e deformando-os, deixando-nos correr lânguidamente no leito das águas, em quimeras falaciosas ou de pategos, sordidamente servidos…

Ou então, outros – a do Leôncio – a mostrar mais do que são ou têm, tal como o escudeiro vicentino, escravo engravatado, todo feliz só porque serve um grande Senhor, a troco de algumas alvíssaras… Será assim a nossa mentalidade e o ethos que nos forjou?!

Assim eu vi católicos, contra as orientações do Papa, a apoiar a guerra, como vejo pacifistas, de nobres ideais, que, em circunstâncias semelhantes, foram os primeiros a dar luz verde aos canhões ou à pena de morte em Cuba, recusando ou renegando o que afirmaram ou fizeram anteriormente. Onde está a lógica de tão esconsos servidores? Lógica de serviço, da força, ou de partido? Política de bem comum, ou de terra queimada?!

Por isso não os confundo, nem me misturo com eles. Os fundamentalismos existem tanto na direita como na esquerda, tal como as máfias, embora arrogando-se de “messias” iluminados, com credenciais democráticas… Telas belas em rosto nem sempre esbeltos e transparentes. Mas foi dialética de confusão ou congestão cerebral como diarreia política…

Convulsões, demonstrações, manifestações, slogans pacifistas, em multidões regorgitantes na rua amotinadas, gritando, exigindo… denunciando a guerra, que não nos atinge, mas esquecendo outra, que está à nossa porta, ou entra nas nossas janelas. A verdadeira Paz no entanto começa nas famílias, nas escolas, na sociedade, nos corações, em cada um de nós.

Será que assim a entenderam/ entendemos como o Papa, a que nos habituámos a não ligar patavina, como no resto?… Amanhã será tarde!…

Assim a Igreja no-la anunciou pela Páscoa, neste tempo de Primavera.

Tradicionalmente, no Minho, a Cruz com o senhor Abade percorre, por entre caminhos, atalhos, vielas ou barrancos, anunciando em todas as casas a alegre notícia: “Este é o Dia que o Senhor fez!… Nele exultemos e nos alegremos!…”

Alguns fazem férias e fogem para o Algarve. O seu Norte é o Sul, bem mais próximos de Marrocos, à procura de um outro Sol, que poderia mais retemperar com o seu calor os corações. Mas não estão para estas cerimónias… parcimónias rituais! Têm saudades de outras castas ou de família muçulmana…

E dizem-se “pacifistas”, mas gostam do folclore como das procissões, se trouxer turismo.

E os agentes, de cada vez mais envelhecidos, servem de bandeja o espectáculo.

Como eu sofro ao pensar, quando entrava em algumas casas, em que alguns, assustados, beijavam a Cruz e, displicentemente, recebiam os elementos do compasso pascal!!

Valerá a pena continuar este código, se não entendem os sinais nem os símbolos? Mesmo assim deverá ser abandonado pelo desprezo de alguns? Penso que não. No entanto, algo deve ser revisto, ainda que seja contra o turismo que negociámos.




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