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‘Mães de Bragança’: o elo mais fraco?

Em finais de Abril surgiu na comunicação social de âmbito nacional uma posição de algumas mulheres da cidade de Bragança, que tinham posto a circular um abaixo-assinado contra as casas de alterne, que, naquela cidade do nordeste transmontano, estão a alterar as relações familiares e mesmo sociais.

N/D
10 Mai 2003

As autoridades (policiais e políticas) tentaram dizer (publicamente) que algo estava a ser feito: as ‘provocadoras’ até nem estarão todas legais – fala-se que serão brasileiras, colombianas, da Europa de Leste – enquanto as casas de ‘diversão nocturna’ estão legalizadas…
Na azáfama de respostas, na avidez de justificações e na ânsia de soluções verificamos a tentativa de trazer à luz da reflexão situações bem conhecidas, mas em que todos – de uma forma ou de outra – lavam as mãos em atitude de desculpa e de alguma irracionalidade colectiva no trato com estas coisas da sexualidade nem sempre tão responsável como seria desejável.

* Da mulher objecto – Como estamos longe de ultrapassar a noção tantas vezes difundida, promovida e cultivada da ‘mulher objecto’: há programas de moda, cinema codificado, shows e empregos de ‘jet-set’ onde a mulher é usada sem respeito pela sua dignidade e na sua especificidade feminina…

Parece que nem certas lutas mais ou menos difíceis conseguiram ultrapassar esse complexo machista (tendencialmente latino) de subalternizar a mulher na família, na política (como são ofensivas as cotas propostas!), no trabalho, na sociedade, na religião, etc. Dir-se-á que estamos muito longe da igualdade de direitos, enquanto os deveres se mantêm subvertidos por mentes mais ou menos reaccionárias e comportamentos desconformes com o que se diz, ao menos em público!

* Ao homem (in)suspeito – O homem (no sentido masculino) continua a sentir-se, na maior parte dos casos, como que aquele a quem pouco ou nada o atinge, se bem que certas máscaras de força estalam ao sabor das modas e sensibilidades mais ou menos subterrâneas. Quantas vulnerabilidades denunciam essas escapadelas, mesmo que toleradas, choradas ou mesmo exaltadas.

Nesta conjugação de medos é, simultaneamente, inquietante e profético, que aquelas ‘mães de Bragança’ venham denunciar a degradação do nosso tecido sócio-familiar: torna-se urgente olhar as feridas – legislativas, económicas, geracionais/educacionais/culturais, religiosas – da família (entendida no singular e num quadro civilizacional de mat(r)iz cristã) ocidental e portuguesa.

Até quando irá vingar o lóbi anti-família? Como podemos defender o equilíbrio de quem deseja ter e dar estabilidade às gerações vindouras? Estaremos condenados ao colapso de um certo hedonismo reinante?

Neste contexto as mães bragantinas são o elo mais fraco, tendo isso prós e contras. Assim saibamos perceber a diferença e atalhar soluções a muito curto prazo!




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