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Estar com o Papa

À semelhança do que aconteceu com Jesus Cristo, também o Papa é, hoje, sinal de contradição. Há os que o aceitam e os que o rejeitam. Os que o idolatram e os que o combatem. E o mais triste é verificar como pessoas que, para se encontrarem com ele, fazem enormes sacrifícios, dele se afastam sempre que lhes convém. Acontece de as mesmas pessoas estarem a favor e contra o Papa.

N/D
8 Mai 2003

Quando o Papa fala da paz, da não violência, da fraternidade universal; quando se manifesta em defesa dos direitos humanos em geral, é o melhor do mundo. Quando o mesmo Papa se levanta em defesa da vida e denuncia os crimes do aborto provocado ou da eutanásia; quando o mesmo Papa se levanta em defesa da família mostrando a injustiça das várias formas de infidelidade e aponta os males do divórcio; quando o mesmo Papa sai em defesa do respeito que cada um deve ter por si e pelos outros recomendando a todos a prática da castidade, esse mesmo Papa é acusado agora de obscurantista e de retrógrado.
Não deixo de salientar a coragem e a coerência de João Paulo II. Fisicamente debilitado, continua intelectualmente cheio de vida, dando mostras de uma lucidez e de uma serenidade impressionantes e entregando-se de alma e coração em defesa dos princípios e valores em que acredita. Atento aos problemas do homem – de todo o homem e do homem todo – não deixa de, com autoridade, pronunciar a palavra certa no momento oportuno. E de agir em conformidade com o que diz.

É da mais elementar justiça reconhecer que João Paulo II se não tem cansado de apontar, a uma humanidade conturbada e perturbada, o verdadeiro caminho. E tanto tem razão quando se pronuncia contra qualquer forma de violência como quando se manifesta contra as experiências pré-matrimoniais, ou as uniões de facto, ou o disparate das uniões homossexuais.

Há que denunciar o oportunismo de quem se aproveita do Papa invocando o seu testemunho para aquilo que lhe convém e combatendo o mesmo Papa sempre que os princípios por ele defendidos colidem com o seu comportamento e os seus interesses.

Há que ter a coragem de estar com o Papa em tudo e de em tudo seguir os seus ensinamentos. É necessário que as centenas de milhar de jovens que se deslocaram a Madrid para o escutarem e aplaudirem na tarde de 3 de Maio, regressados aos seus ambientes, aí dêem testemunho, com a palavra e com a vida, de que o Papa sugere o caminho certo para um mundo melhor.

Um mundo onde cada um propõe as suas ideias sem as impor. Um mundo onde a unidade que se defende não deixa de respeitar a legítima diversidade. Um mundo onde Deus não seja o grande ausente. Um mundo que não menospreze os valores do espírito mas lhes dê o lugar e a importância que merecem. Um mundo onde a verdade e a justiça estejam acima dos interesses e das conveniências. Um mundo onde cada um, seja ele quem for, se sinta respeitado na sua dignidade e nos seus direitos. Um mundo onde a paz não seja fruto do poder do mais forte mas obra da justiça, da verdade, do amor, da solidariedade. Um mundo onde se cultivem os valores da igualdade baseada no facto de todos os homens serem criados à imagem e semelhança de Deus; da liberdade responsável; do destino universal dos bens materiais. Um mundo onde todos os homens possam viver como homens e como filhos de Deus; onde ninguém se sinta discriminado ou instrumentalizado; onde sejam alvo das maiores atenções os que se debatem com maiores carências.

Que quantos, em 3/4 de Maio, estiveram com o Papa, ou porque foram a Madrid ou porque a ele se uniram através da Comunicação Social, continuem com o Papa. Mas seguir o Papa e estar com o Papa é aceitar os princípios e os valores que o mesmo Papa defende. É empenhar-se na construção de uma sociedade mais fraterna e mais justa, onde exista uma mais equitativa distribuição de bens, onde não exista o tráfico de seres humanos, onde ninguém seja tratado como instrumento de prazer, onde os cuidados de saúde e a educação sejam um direito de todos e um serviço que a todos se presta, onde o desenvolvimento integral esteja ao alcance de todos, onde todos disponham de uma habitação digna, onde os que não possuem o necessário para viver com dignidade passem a ter o indispensável porque quem tem mais aceita passar a ter menos.




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