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Mário Soares e as suas incoerências…

Os problemas que se registaram no Iraque e que dominaram a imprensa e demais órgãos de comunicação social grandemente provocaram reacções individuais e colectivas em todo o mundo e, portanto, também, em Portugal. Como noutros países houve desfiles de protesto e em Portugal tiveram a presença da “esquerda” à qual se associou Mário Soares. Os órgãos de informação registaram-no.

N/D
7 Mai 2003

Os acontecimentos no Iraque revelaram, em grande, os crimes que ali se ha-viam praticado com a ditadura que o governava.
No desfile que se efectuou em Lisboa participaram Mário Soares e Freitas do Amaral. A presença do primeiro provocou críticas e de destaque assinalado.

O General Galvão de Melo escreveu no semanário: “O Diabo” de 22 de Abril: «Mais que a atitude da multidão a mim surpreende-me e repugna-me a atitude de um político que tendo alcançado o topo da hierarquia muito “acarinhado” pela diplomacia americana, agora se permite condenar o Presidente dos Estados Unidos, com palavras que nada têm a ver com crítica inteligente, justa, e muito se confundem com o insulto pessoal. Já todos entenderam que falo de Mário Soares. Se eu não tivesse visto e ouvido não acreditava.»

O escritor Bernard-Henri Levy também se pronunciou, e João Coito, em artigo publicado no semanário “O Diabo” de 15 de Abril, confronta a atitude havida para com a intervenção anglo-americana no Iraque e o silêncio havido em relação à Chechénia e fê-lo nestes termos de Henry Levy: «Milhões de pessoas desceram à rua para estigmatizar uma guerra que fez algumas centenas de mortos – e nem uma só, em nenhuma manifestação no mundo, para ter uma palavra de protesto contra essa outra guerra (a da Chechénia) que dura há dez anos e já fez centenas de milhares de vítimas. O Dr. Soares, e outros mais, devem ter lido estas palavras…»

A política, quando se utiliza com intuitos pessoais e se sobrepõe aos verdadeiros interesses nacionais é nociva e prejudicial e leva a esta afirmação de Galvão de Melo, ou pode levar, escrita no artigo que já citamos: «Enquanto se meter na prisão o desgraçado que roubou um pão para matar a fome de vários dias, e se tratarem com as honras dos homens de bem chefes de Estado que roubam e assassinam o povo, o mundo não melhora. Entretanto rezemos para que Deus abençõe e proteja todos aqueles que arriscam suas vidas na batalha pela Liberdade e Dignidade do Homem.»

Há anos o Dr. José António Barreiros escreveu no semanário “O Diabo” um artigo, que titulou: “Nasce um novo regime, morre um velho Portugal”. São desse artigo os períodos que se seguem: “A coerência com um princípio não é hoje exigível.
Houve tempos em que o Pedro Ramos de Almeida, fez um livro a mostrar as incoe-rências do Dr. Mário Soares. Pensou ele que isso envergonharia o seu visado, quando, afinal, contribuiu para a sua maior glória, porque é engraçado dizer-se uma coisa e fazer-se outra, é giro mudar de opinião ao sabor do momento, é bestial não acreditar em nada para poder jogar em tudo.

Nisto, Soares “é fixe” e com ele nasceu e se desenvolveu uma escola que vinga e cresce na democracia. A trampolinice é hoje uma das belas artes do actual regime. E, no entanto, ele haverá seguramente o amanhã.

Os acontecimentos políticos, registados em Portugal após a “revolução dos cravos”, testemunham grandemente a afirmação de José António Barreiros. E o facto baseia-se na incultura política, verdadeira, na deformação da função objectiva e social dos cargos que se ocupam e do verdadeiro amor pátrio e do sincero interesse do cidadão na melhoria pessoal e social de todos os cidadãos.

Realizou-se a celebração do aniversário da “revolução dos cravos” e o facto foi festejado na Assembleia da República com a presença do Presidente da República. Impressionou-nos a frieza e a indiferença dos portugueses face ao acontecimento.
Bem sabemos que é frequente, entre nós, encher as ruas, quando há mudanças, mas também é uma realidade que essas manifestações são emotivas, ocasionais e passageiras.

O que, verdadeiramente, interessa, é a aceitação do facto, a vivência ao mesmo e a execução dos seus objectivos, quando inteligentemente estudados e expostos com seriedade e independência no plano político. Isto é, o que interessa para bem do País é que as decisões tomadas expressem uma vontade sincera, uma visão culta, e no desejo de melhoria.

E que os responsáveis dos movimentos de renovação sejam exemplares cumpridores dos anseios que proclamam com intuitos patrióticos, mas que sejam, também, expressão verdadeira, objectiva e exemplar do bem estar nacional e seu futuro.




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