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Babilónia

Tem vindo ao de cima este nome, depois da recente guerra no Iraque desenvolvida por americanos e britânicos. Os nossos repórteres têm mostrado imagens muito interessantes dessa cidade que tem um passado extraordinário na história da civilização mundial.

N/D
7 Mai 2003

Todas as nações estimam apresentar glórias remotas e entendo que este massacrado país as tem mais que qualquer outro. Pena foi que valores culturais ímpares da antiguidade não tenham sido devidamente acautelados. Primeiro foram as destruições e depois o saque. Algo já foi recuperado, pelo que lemos e ouvimos, mas outras peças estão desaparecidas, talvez a caminho de antiquários que as venderão por preços elevados.
O primeiro contacto a nível cognitivo que tive de Babilónia foi quando frequentava o meu 4.º ano (hoje 8.º) e o nosso professor de História dissertava sobre a Média, região do Médio Oriente que englobava vários países, inclusive parte do actual Iraque. Como utilizava bastante essa palavra e as derivadas da mesma, isto é, os medas ou medos, por uma analogia semântica não contive uma explosão de riso que nessa tenra idade se propagou à vizinhança. Foram minutos e mais minutos de repressão sentimental para não desafiar o sisudo “magister”.

O termo Babilónia é um daqueles que é familiar a quantos estudam as Sagradas Escrituras, pois aparece não só no seu significado real, como o lugar para onde foram levados cativos os judeus em 587 A. C. e aí permaneceram seis décadas, mas também no metafórico simbolizando baixeza, corrupção e desordem. Uma expressão que aparece no Apocalipse de São João é a de “grande meretriz” (17,1), para significar enorme imoralidade.

Os cientistas e arqueólogos começam a manifestar uma séria preocupação em relação a essa cidade com o nome actual de Hillé, perto do rio Eufrates em cujas margens os judeus choraram e dependuraram as arpas nos salgueiros. Não são só os saques que os preocupam, mas também as construções megalómanas de Saddam Hussein, que construiu novas muralhas e palácios sobre ruínas históricas identificadas. Pela informação dada já nada resta dos Jardins Suspensos e das Muralhas, duas das Sete Maravilhas da Antiguidade.

Um dos países que estará atento ao problema será a Alemanha, que desenvolveu no século passado uma grande obra de descoberta das antigas ruínas. Afirma-se na Grande Enciclopédia Portuguesa – Brasileira: “A imensa cidade foi metodicamente explorada desde o princípio do presente século (XX) até ao princípio da Grande Guerra, pela Sociedade Oriental Alemã, a qual desaterrou o palácio de Nabucodonosor, o templo de Marduk, a Zigurat, diversos templos e uma parte da cidade de Hamurabi, notável pela excelente ordenação dos seus arruamentos”.

Ao pensarmos nessa cidade, onde viveu Alexandre Magno, que fez dela a sede do seu vasto império e esteve na origem dessas magníficas construções de antanho, pensamos também nas nossas babilónias, não no sentido de criação de obras primas para o presente e para o futuro, gizadas e executadas com primor e beleza, mas como amálgamas imensos de blocos habitacionais, sem espaços de lazer e salubridade, e ainda com a multiplicação de problemas causados pela anulação pura e simples de fronteiras seculares, gerando anarquia e confrontação entre populações vizinhas.

São estas as babilónias do século XXI.




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