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741. Senhor Primeiro-Ministro, Senhor Secretário-Geral do PS:

1. Estalou o verniz entre a maioria e o PS. Em causa, a duplicação das subvenções estatais aos partidos políticos que o PS queria para já e o Governo adiou para 2005. Deslealdade? Fuga a compromissos assumidos? Fiasco na comissão eventual para a reforma do sistema político?

N/D
7 Mai 2003

O certo é que a maioria rói a corda, dá o dito pelo não dito, recua. Cai o Carmo e a Trindade! E, tal como o puto da primária face à simples nicada no pião das nicas, o PS amua. Ameaça mesmo com o uso de gravadores e câmaras de vídeo nas reuniões futuras!
Ora, se o exercício da política anda pelas ruas da amargura, com mais esta escaramuça cai na fossa! E num momento em que o diálogo, franco e aberto, entre maioria e oposição tão necessário é à credibilização e moralização da actividade político-partidária.

Porque, se o difícil tem sido encontrar políticos que digam sempre o que pensam e pensam sempre o que dizem, mais difícil é, assim, o entendimento inter-partidário. A ponto de sermos tentados, como Diógenes de Sínope, de lanterna acesa durante o dia, a procurar, não quem mereça o qualificativo de homem, mas de político!

2. Mas, afinal, senhores Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS, qual a real causa do desaguisado? Que pedra entrou na engrenagem?

Rezam as crónicas, que dinheiro! Ou melhor, a falta de dinheiro! O tal vil metal por quem passa, quase tudo, na vida! Isto é, o PS queria dinheiro, mas o Governo não dá!

E, neste particular, senhor Primeiro-Ministro, dou-lhe razão. Porque se o país está de tanga, grande parte dos portugueses nem os aumentos teve, as empresas fecham, o desemprego aumenta, a recessão económica dispara, o défice está preto, com que moral pode o Governo aumentar os subsídios aos partidos? E para o dobro?

Mas, que grande lata, senhor Secretário-Geral do PS, e que falta de solidariedade para com os trabalhadores, os pobres, os desempregados! Acaso, pensa que ainda vivemos no tal tempo das vacas gordas de Guterres, e que deu no que deu?
Só percebo esta sua exigência como uma manobra hábil de, mais facilmente, aumentar a miséria do país, estrangular o Governo e fazê-lo cair!

Além do mais, o que pensarão os portugueses de tudo isto? Decerto, a maioria nem sabe que paga o voto que dá aos partidos e que, agora, segundo a nova lei do financiamento, passa para o dobro! Isto é assim: o povo vota, o Governo paga o voto, o povo paga ao Governo, logo, o povo paga o voto! Admirável engenharia financeira!

Sabem, meus senhores, o que me apetecia fazer? Não votar nunca mais, porque, assim, ao menos não viviam às minhas custas! E podia ser que os partidos, para bem da Democracia, deixassem de ser as agências de emprego e os clubes de compadrio, clientelismo e arranjismo em que se transformaram!

E sem partidos destes passamos bem, obrigado!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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