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Dia 15 de Maio – Dia Internacional da Família

Há uns dias perguntava-me uma criança, com certa curiosidade, o que é uma família. Fiquei intrigado. Pensava que esta questão não se punha.

N/D
6 Mai 2003

Recordei os meus tempos de infância e, de certeza, se me inquirissem sobre essa matéria, não teria dificuldade em responder. Lembrar-me-ia imediatamente de meus pais, de meus irmãos, dos meus parentes mais próximos e de todos os contornos que faziam do lar onde eu passava os meus dias o teatro natural das minhas alegrias – sobretudo alegrias – e das tristezas próprias de quem nem sempre faz o que deve ou não vê os acontecimentos correrem de feição.
Ali havia alguma coisa que eu sentia acima de tudo: a segurança de encontrar quem me compreendia e, simultaneamente, quem me sancionava pelas asneiras que eu não sabia evitar com a minha espontaneidade, o meu orgulho, a minha desobediência e a matreirice própria dos anos da infância e depois da adolescência.

Estas sanções nunca me afectaram psicologicamente. Pelo contrário: assumia-as como factos normais, porque se eu tinha alguma facilidade de irritar os meus pais – principalmente a mãe, que parava mais em casa -, mantinha a convicção inamovível de que depois da tempestade vem a bonança, quando há dois corações que nos amam, nos amparam e, com muito mais rapidez do que fervilham de nervos ou de irritação, nos perdoam sempre.

A minha casa, melhor dito, a minha família foi quem me ensinou a amar. Ali gastava-se do amor que não se esgota e nos atrai. Efectivamente, o que lá superabundava claramente era o amor dos pais pelos filhos, destes pelos pais e dos filhos entre si. Mais: até da velha empregada analfabeta e boa cozinheira, a eterna Jojó (como lhe chamávamos carinhosamente em vez de Generosa, consoante a baptizaram), que não fazia segredo nenhum em manifestar claras preferências por alguns dos rebentos de meus pais – os nove que criaram -, dos quais eu era um dos predilectos.

Por tudo isto, estranhei a pergunta da criança. Não sei o que lhe respondi, de tal modo me senti perplexo. Houve alguém, no imediato, que me chamou à parte e me explicou que o rapazito era filho de uma união de facto que se liquefez sem apelo nem glória. Uma mais, entre as muitas, que por aí se concertam e desconcertam, ao sabor dos humores e dos sentimentos de quem as cria e, depois, logo que as relações começam a ser menos afáveis entre os dois, atiram cada um para seu lado e a descendência para o trauma de ver o seu lar transformado numa ruína, num projecto que falhou, numa relação espúria de duas pessoas que não se entenderam e deixaram de viver o projecto comum de o educarem num ambiente de amor, como foi o que os meus pais fizeram o favor de me conceder.

No próximo dia 15 deste mês, vai celebrar-se o Dia Internacional da Família. Que esta efeméride sirva de ponto de reflexão para todas as famílias, no sentido de alicerçarem a sua consistência e os compromissos de firmeza e de perseverança que a educação da prole exige.

Decerto, o mais vinculante deverá ser o do amor, que, tal como dizia João Paulo II há perto de vinte e cinco anos, constitui o núcleo essencial da instituição familiar. Falamos do amor verdadeiro e não da sua caricatura, que é aquele que decreta a separação dos cônjuges quando se transformam alguns escolhos próprios da convivência, sempre superáveis, em oceanos intransponíveis, pejados de Adamastores inclementes. Só existem na imaginação dos egoístas e nas legislações divorcistas, que desistiram de aceitar a nobreza da estabilidade do amor humano, sério e consciente.

E queremos felicitar todas as entidades que defendem as famílias verdadeiras, como a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, muito activa e benfeitora, que programaram efemérides a preceito para comemorar o dia 15 de Maio.




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