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Há política desportiva para a cidade de Braga?

O presente título pretende ser uma síntese interrogativa de alguns considerandos que passarei a expor, os quais reflectem preocupações pessoais acerca da forma como se pratica desporto em Braga. Enumerá-los-ei da seguinte forma:

N/D
2 Mai 2003

O presente título pretende ser uma síntese interrogativa de alguns considerandos que passarei a expor, os quais reflectem preocupações pessoais acerca da forma como se pratica desporto em Braga. Enumerá-los-ei da seguinte forma:
1) Praticar desporto pode pôr em perigo as nossas crianças? Como? Porquê?;

2) Campos da Rodovia (ou pântanos da Rodovia?);

3) Campos das Camélias (ou pântanos? ou currais de gado?);

4) Campo da Escola do Carandá;

5) Que política desportiva para a cidade de Braga?

É de toda a evidência que a prática desportiva deveria ser obrigatória em todas as idades. É também evidente para todos nós que a prática desportiva, a educação física, é uma forma positiva, saudável, de desenvolvimento pessoal, a par da educação intelectual e da moral. O que já não é tão evidente é o facto de, na cidade de Braga, a prática desportiva ser, em muitos casos, potencialmente perigosa, e isso por muitas razões, das quais destaco algumas.

O meu filho de 9 anos joga futebol nas escolinhas do Sporting de Braga. Ele adora, eu adoro que ele adore, estamos todos felizes com esta demonstração de vitalidade física. Eu já havia torcido várias vezes o nariz quando soube que ele iria jogar naqueles lamaçais inacreditáveis das Camélias, cheios de lama e de buracos.

Sempre achei que a cidade de Braga deveria ter campos de futebol com um mínimo de qualidade, e nunca compreendi por que razão o Vitória de Guimarães transformou os lamaçais da Unidade em belos campos de treino, onde evoluem, como alegres passarinhos, as crianças daquela cidade, e, por comparação, o Sporting Clube de Braga, nada fez.

Na minha modesta opinião, já algo deveria ter sido feito, mas enfim… Mas mais torci o nariz quando assisti ao espectáculo inacreditável de ver as crianças a jogar no exacto local onde dias antes haviam “curralado” umas manadas de mal-cheiroso gado.

Pois não é que os responsáveis (quem? Da Agro? A Câmara?) não usaram os campos como currais, esquecendo-se de os limpar e de os desinfectar? Alguém se lembrou que as crianças correm, caem, ferem-se, fazem feridas, e puderam cair naquele lamaçal fedorento e infecto? De quem é a responsabilidade por este atentado à saúde das crianças?

Há dias, por causa das vaquinhas, foram as crianças transferidas para os campos da Rodovia, melhor, para os pântanos da Rodovia. O meu filho, coitadito, lá chegou a casa com uma entorse. É que aqueles campos não são campos de futebol, são um perigo à solta para as pobres criancinhas!

Mas, quem se importa com isso? Quem se importa com o facto de se destruir na origem carreiras que, nalguns casos, se afiguram promissoras? As entorses, os ossos partidos, são coisas banais, dirão os “responsáveis”. Eu, evidentemente, não digo o mesmo, e atribuo culpas aos responsáveis pelo desporto na nossa cidade. Mas, afinal, o que fazem os responsáveis pelo desporto na nossa cidade?

Por algum azar, mora o meu pequeno junto da Escola do Carandá, gueto nobilíssimo, com mercados culturais a fumegar de nada, mas inchados de nome de engenheiros e arquitectos.

Tem a escola um campo, um pequeno campo de futebol, no qual as crianças do gueto do Carandá brincavam nas tardes de sol ameno e nas noites de lua cheia. Por artes não se sabe bem de quê, tem hoje a Escola do Carandá um campo de futebol onde se passeiam alegremente as formigas, mas onde as crianças não podem pousar os seus habilidosos e querentes pés.

Os portões estão fechados, ninguém lá entra, quer dizer, alguns arriscam uns bons rasgões saltando as redes e os portões. Há qualquer coisa que não bate certo nesta decisão de se fechar aquele espaço, impedindo as crianças de lá correr e saltar.

Afinal o que é uma escola? Deve, ou não, uma escola, os seus espaços (aquele campo do Carandá não era público?) estar ao serviço da comunidade? Para que queremos nós uma escola se ela se fecha, não cumprindo a missão para a qual foi criada? Dirão que foram razões de segurança que determinaram o encerramento do espaço. Mas isso é razão aceitável? Que razões de segurança justificam o fecho dos poucos espaços desportivos que possuímos? Não… há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Não sou político, sou um cidadão anónimo desta luminosa cidade, mas estou em crer que muito mais deveria ser feito (e penso apenas no fenómeno desportivo) pelos responsáveis do Pelouro do Desporto da nossa Câmara. Aqueles campos da Rodovia, por exemplo, são uma vergonha, nunca foram cuidados, e a responsabilidade não é minha, com certeza.

Dizem que vão desaparecer, e eu nem quero acreditar nisso. Vão desaparecer? E depois? Fica o norte da cidade com norte e o sul com todo o desnorte? Os campos não devem desaparecer, antes pelo contrário! Devem ser rejuvenescidos, cuidados, alindados, pois o cidadão de Braga não merece menos do que isso.

Senhores responsáveis camarários: cuidem da nossa saúde física e espiritual, pensem a sério numa política desportiva para a cidade, tirem as vaquinhas dos campos onde jogam os nossos filhos, desinfectem, por amor de Deus, desinfectem… Porque se não desinfectarem, qualquer dia estamos todos infectos. E nós não queremos isso, verdade?




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