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Gnration. Aqui mora e criatividade (com vídeo)

Reportagem | 28 de Janeiro de 2017
Morada provisória de alguns artistas, nesta casa cria-se, produz-se. Aqui nascem ideias, lançam-se projetos. É uma casa aberta a todos. Um lugar onde a imaginação flui, livre, e ganha corpo. É mais que isso. É um espaço “multidisciplinar”, como descreve o diretor de programação, Luís Fernandes. É o sítio onde mora a criatividade.
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Pela criação, tudo

A sala está cheia. Há alunos sentados em cadeiras, outros no chão, em almofadas. Em frente, no palco improvisado, o chão forrado a papel prateado reflete a pouca luz que rompe a escuridão. O silêncio, a expectativa. Os feixes de luz cruzam-se com os artistas. Alguns estão também vestidos de prateado. Confundem-se com o chão, movem-se por entre os reflexos de luz, são eles próprios reflexo. Um jogo de som, movimento e luz, onde todos os sentidos são chamados a participar. O apagar e acender de luzes congela cada movimento, como se de flashes se tratasse. Os alunos mal pestanejam. Num piscar de olhos perde-se muita coisa.

À medida que o “ensaio aberto” – como lhe chamam os artistas – avança, novos elementos são adicionados. Diversos dispositivos técnicos entram em cena. A tecnologia funde-se com a arte, acrescenta-lhe novas formas, novas expressões, novas potencialidades. Um dos dispositivos, a eletromiografia, mede a potência do músculo. Cada impulso elétrico é transformado em som, é amplificado. O corpo marca o ritmo. O homem comanda e deixa-se comandar pelo movimento, pelo som. É a tecnologia em interação com o homem. Um ao serviço do outro. Entre fios, sensores e luzes, os performers continuam, ágeis, pelo seu imenso mar de prata.

Entre a fusão de sentidos, há também lugar para a palavra, num texto sobre o inconsciente e as memórias produzidas, que convida à reflexão. No final, os alunos experimentam os dispositivos técnicos, participam no ensaio, dão-lhe um rumo novo, improvisado, inesperado. Nenhuma performance é igual à anterior.

O coletivo DEMO, que é composto por cinco performers de áreas como a música, as artes gráficas e o teatro, chegou ao gnration há cerca de uma semana e meia. Já tinham mais ou menos delineado aquilo que queriam fazer, mas “havia espaços em branco, buracos, e faltava um fim”, explica Cláudio Vidal, performer e diretor do coletivo. Estiveram no gnration em regime de residência artística, onde partilharam o espaço 24h00 por dia, para poderem criar e produzir a todo o momento. O gnration foi a sua casa durante estas quase duas semanas. Ali dormiram, comeram e trabalharam até ao dia da apresentação pública do seu “ensaio aberto”. Margarida Cabral, membro do coletivo artístico, fala da importância destes regimes de residência em que tudo se intensifica pelo facto de estarem juntos 24h00. “Podes trabalhar muitas mais horas do que se fores dormir a casa e as coisas intensificam-se muito mais porque se te surge uma ideia, vais logo fazer”, explica. Para o coletivo, que não tem um espaço fixo de trabalho, poder ensaiar numa sala como a blackbox do gnration torna-se ainda mais importante. “Teres as condições técnicas, os espaços, obriga-te a criar mais rápido. Acho que tens tudo para conseguir trabalhar bem”, conclui Margarida.

O apoio à criação artística é uma das grandes apostas do gnration. Quem o diz é o diretor de programação. A vontade de apoiar artistas e as suas produções levou o gnration a criar as condições necessárias para os acolher. Um quarto com várias camas, salas comuns, cozinha, salas de ensaios e estúdio de gravação de som são algumas das estruturas que permitem este acolhimento. Há situações em que os criadores ficam por períodos de uma semana ou mais, outras em que ficam, por exemplo, apenas um dia para preparar algo em particular. Alguns projetos são inteiramente construídos durante a residência artística, chegam ao gnration como uma “tábua rasa”. Outros vêm praticamente finalizados, precisando apenas dos “últimos retoques”.

 

A arte que se cria, pratica e ensina

Um conjunto de objetos invulgarmente ligados entre si enche a sala multiusos do gnration. Garrafões de água, placas de metal, tubos, bolas, cabos, elásticos entrelaçam-se num enredo que formará parte da orquestra robótica do coletivo Sonoscopia. Menos de uma semana depois do coletivo DEMO se ter instalado no gnration, é a vez da Orquestra Robótica Disfuncional “Phobos” ocupar o espaço. É hora da música experimental mostrar que a criatividade não encontra limites num espaço como este.

Gustavo Costa, membro do coletivo Sonoscopia e diretor do projeto, conta que apesar de terem um espaço físico, no Porto, onde trabalham diariamente, “fugir” do local habitual de trabalho e estarem juntos o dia inteiro é vantajoso. “É um processo muito intenso e que em termos criativos é muito produtivo, porque numa semana às vezes conseguimos avançar mais do que num mês de trabalho se estivermos a trabalhar individualmente, com as nossas rotinas, os nossos hábitos, as deslocações para o trabalho, etc.”, diz. As interrupções constantes no local de trabalho e o facto de terem várias tarefas entre mãos em simultâneo também perturbam a concentração, algo que não acontece durante a estadia no gnration. O músico explica que esta residência artística servirá para “criar novos instrumentos”, mais especificamente “instrumentos em que o ar é a principal forma de produção de som”. “Temos um compressor ali fora que distribui ar para várias fontes aqui dentro, que nós usamos para tocar, como se fosse o ar emitido por um trombonista ou por um flautista, mas neste caso é tudo automático, porque temos um compressor a gerar ar”, esclarece. Aquilo que à vista desarmada poderá sugerir um amontoado de objetos sem valor ganha outro sentido à medida que o ar embate na medida exata para gerar som. Uma percussão suis generis pode ser contemplada a partir de um instrumento composto por bolas que levitam no ar e embatem em tubos. O espetáculo sonoro é abrilhantado pela perplexidade com que se observa os objetos mais improváveis ganharem vida, organizados, ritmados, reanimados. A acompanhar o trabalho dos artistas está uma turma de alunos entre os 15 e os 17 anos. Não se limitam a observar. Munidos de câmaras fotográficas e tripés, registam os mais diversos pormenores, documentam todo o processo de construção da orquestra. Entretanto, as imagens vão ser tratadas com o apoio de um dos elementos da banda. Depois, serão também eles artistas, com o seu trabalho a integrar o espetáculo final. Suzana Leite é a professora que acompanha os alunos, que vêm de áreas como a música, as artes visuais e a informática, alternativas ao ensino regular. Explica que é uma turma “com algumas dificuldades de aprendizagem”, composta por alunos “com pelo menos duas ou três retenções no percurso escolar”. “Eles são alunos difíceis. Dentro de sala de aula, com tarefas mais repetitivas, cansam-se com muita facilidade. Quando saímos do contexto formal de aulas, eles sentem-se muito mais motivados, e é isso que eu verifico nestes dias em que têm estado aqui”, revela. Suzana considera ainda que estas atividades de cariz mais prático são importantes para ajudar os alunos a discernir sobre o futuro deles, a decidir sobre o que querem nos próximos anos.

Esta componente pedagógica é, para o diretor de programação, a grande mais-valia que o gnration pode dar à cidade. No que toca ao envolvimento dos alunos em projetos como os do coletivo DEMO ou da Sonoscopia, Luís acredita que poderá ser inspirador e levar os alunos a consolidar a “vontade de serem artistas”, ou, pelo menos, a “vontade de consumirem arte quando forem mais crescidos”. A tarefa que considera “mais difícil” é precisamente esta, a de “formar públicos e ter uma cidade mais culta e interessada”. É um trabalho “invisível”, porque os resultados, esses, só virão com o tempo.

 

GNRation: uma estrutura “multidisciplinar”

Quem entra no gnration não imagina o antigo Quartel da GNR que em tempos tomou conta do edifício. Da entrada, vislumbra-se uma projeção multimédia hipnotizante, numa galeria sem porta, que convida a entrar. O sofá, frente à enorme projeção, estende mais um convite para ficar, desfrutar, deixar-se envolver pelas imagens, transportar-se para um outro lugar. Os corredores sinuosos, repletos de luz e transparências, oferecem inúmeras possibilidades para explorar o espaço. No pátio exterior, o olhar é conduzido pelas filas verticais de vasos rigorosamente alinhados que aparentam não ter fim. A parede parece fundir-se com o céu. O espaço vai além das próprias estruturas. A cada passo, uma perspetiva diferente. O edifício toma conta de quem o explora.

Entre salas, pátios, galerias e corredores, podem acolher exposições, concertos, conferências, congressos, workshops e as mais variadas performances. No piso zero está também a Loja Europa Jovem, que presta apoio à mobilidade jovem europeia, e um bar/cafetaria.

Há ainda uma área fechada ao público, no piso superior, ocupada por startups (pela Start Up Braga) e pela Fundação Bracara Augusta. Sem esquecer o quarto destinado às residências artísticas, copa e salas de repouso.

Luís explica que o gnration é uma estrutura “multidisciplinar”, que assenta em três eixos: empreendedorismo, cultura e apoio à juventude. No que toca à programação cultural, diz o diretor de programação, focam-se, fundamentalmente, em duas áreas: “a música contemporânea, que é em si bastante vasta, e os media arts, com especial ênfase na arte digital”. Dentro destes dois “pilares de programação”, como lhes chama, podem existir diferentes abordagens dos conteúdos programáticos, umas mais expositivas, outras performativas ou ainda focadas na vertente pedagógica.

Rejeita o rótulo de “entidade que programa conteúdos muito experimentais”, no sentido de serem “inacessíveis ao público em geral”. Preocupam-se antes em “testar soluções em contexto de espetáculo performativo”.

A recetividade, garante, tem sido positiva, com o número de eventos e espectadores a crescer desde a abertura, em 2013.

Não entra em comparações com o Theatro Circo – “a casa da cultura da cidade, por excelência” – e sublinha o facto de possuírem abordagens complementares, “num bom sentido”. “O gnration é um edifício mais de experimentação, de criação, de teste de outras abordagens artísticas”, acrescenta. As portas do GNRation nunca sabem quem será o próximo a entrar. O limite é a imaginação. 



Autor: Filipa Correia/Fotos: Filipa Correia e Ana Marques Pinheiro
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