Agora, outro diário

01 Set 20100 ComentáriosJosé Miguel Pereira Enviar Artigo Imprimir

Esta é a última vez em que o meu nome aparece na primeira página do Diário do Minho, no lugar reservado ao Director. É também a última vez que escrevo neste espaço. Está terminada a comissão de serviço de cinco anos, que eu estabeleci, a que se devem somar outro cinco anos como jornalista/assessor do cónego João Aguiar Campos, agora na presidência do Conselho de Administração da Rádio Renascença (RR).

Quando partiu para Lisboa, em Junho de 2005, ele escreveu: «Hoje fecha-se um ciclo na minha vida, após quase oito anos de compromisso com o DM, seriamente assumido. Escrevo-o sem medo, porque tenho a certeza de lhe haver dedicado horas que fiquei a dever à família, aos amigos e a mim mesmo. Sobre os resultados, pronuncie-se quem quiser; mas o esforço e o investimento pessoal, esses avalio-os eu…».

Hoje, é a minha vez de o dizer. E de agradecer a quem tornou menos pesada a carga diária. E foram tantos, desde os colaboradores mais próximos (jornalistas, fotocomposição, departamento comercial, gráfica, distribuição, administração…) até aos que também contribuem para que o DM continue na liderança da imprensa regional. Refiro-me especialmente aos autores dos textos publicados nas páginas de Opinião e Cidadania, alguns com muitos anos de escrita/intervenção, e aos coordenadores dos suplementos: Abílio Peixoto (Televisão e Cultura), Nelson Rodrigues (Tecnologias de Informação e Comunicação), Ricardo Rio (Economia) e Mário Peixoto (Saúde).

No dia em que foi apresentado o novo Director do DM, a quem saúdo e desejo que tenha sorte, ouvi isto: «Deve ser um jornal de ideário elevado, livre e confiante, aberto como as metáforas do Evangelho, atento às pessoas, sobretudo aos mais carenciados e desprotegidos, e às duras situações deste tempo, para nelas introduzir fermento e valores, e para delas fazer uma leitura de esperança e confiança, e levar muitos outros olhos a olhar para elas de forma diferente e transformante, nunca indiferente ou paralisante.

Ao mesmo tempo, deverá apresentar-se com rosto e rigor, a privilegiar o sabor do anúncio, levando, portanto, aos leitores o “sal da notícia” juntamente com as notícias que houver; mas saberá também, quando for caso disso, denunciar injustiças, mentiras, preguiças e outras chagas sociais, políticas, culturais ou religiosas».

Foi precisamente o que procurei fazer, enquanto Director do DM. Agora como leitor, continuarei a concretizar este e os outros artigos do Estatuto Editorial no diário (entenda-se vida paroquial) de Apúlia e Rio Tinto, no concelho e arciprestado de Esposende.

[Publicado no DM de 01.09.2010] 

 

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