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04 Julho 2009

O teatro chegou à “província”

Luísa Teresa Ribeiro

A região Minho é, nesta época do ano, a prova de que não é preciso rumar à capital para se ter acesso a uma programação teatral diversificada. Depois de Guimarães ter realizado, em Junho, mais uma edição dos Festivais de Gil Vicente, decorre em Braga, até domingo, o Mimarte. Sábado e domingo, o Tin.Bra promove a I Mostra de Teatro Infantil. Em Viana do Castelo, entre hoje e dia 19, regressa o Festival de Teatro do Eixo Atlântico.
Os distritos de Braga e de Viana do Castelo têm também dois exemplos de interessantes projectos de criação artística fora dos grandes centros urbanos. Na Póvoa de Lanhoso, o Centro de Criatividade apresenta às sextas-feiras e sábados, durante os meses de Julho e Agosto, no Castelo de Lanhoso, o espectáculo “Eu Reino”, criado para comemorar os 900 anos de D. Afonso Henriques. Por seu turno, a companhia Comédias do Minho, com sede em Paredes de Coura, está neste momento a percorrer 25 cafés dos cinco municípios do Vale do Minho com a peça “Arribação”, sobre a questão da emigração, levando o teatro ao encontro das pessoas.
Como refere um artigo do “Jornal de Notícias”, «com a reabilitação de antigos cine-teatros, há pequenas cidades com cartazes culturais de luxo. E salas a abarrotar de gente». Contudo, apesar desta diversificação de propostas, a questão do financiamento da criação teatral está longe de ser pacífica. Ainda recentemente a Plataforma das Companhias de Teatro, da qual faz parte a Companhia de Teatro de Braga, pediu para que seja «retomada a discussão sobre o modelo de financiamento público às artes» e que o programa de Governo seja cumprido no que respeita à meta de canalizar 1 por cento do Orçamento Geral do Estado para a Cultura. José Sócrates já reconheceu o erro de não ter investido de forma mais volumosa nesta área.
Uma vez que estão em causa verbas públicas, é preciso que o debate sobre o apoio às artes não se restrinja a uma elite que se auto-percepciona como bem pensante e que só conhece o país dos gabinetes. Não é pelo facto de se tratar de cultura que se devem dar cheques em branco, sem ter em conta a qualidade dos projectos e a ligação à comunidade onde se inserem. Se se gasta dinheiro do erário público, é imperativo ter em conta o que é que as pessoas ganham com esse investimento. Subsídios para quem pensa os espectáculos em função do seu umbigo, não, obrigada.

[Publicado no DM de 03.07.2009]

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